Adoção e devolução – por Viviane W. Lencina

Somos Viviane e Flávio, pais da Mariana com 11 anos e somos uma família há 1 ano e 7 meses. Somos muito felizes. Eu, Viviane, vou tentar passar um pouco da nossa experiência.
Sabemos que adoção tardia não é fácil. A Mariana veio com traumas e plena consciência do seu abandono o que logicamente influenciou na convivência conosco, pois nada mais natural ela sentir um medo enorme de um novo abandono. Nós também sentimos inseguranças e medos de não saber lidar com tanta novidade em nossas vidas e principalmente os testes comuns que acontecem em uma adoção, porque eles precisam saber se serão amados pela nova família.
Foi sim muito difícil durante os 12 primeiros meses, as vezes me sentia perdida como mãe. Ela não aceitava regras, não queria estudar, o meu medo de não conseguir passar o nosso jeito de ver a vida e introduzir novos conceitos, mas deu certo. Insistimos muito e entendemos que é uma criança que precisa ser orientada como qualquer outra.
Com todos esses problemas de enfrentamento: querer voltar para a casa lar, agressões verbais, NUNCA PENSAMOS EM DEVOLVÊ-LA. Embora ela nos indagasse inúmeras vezes. Era muito amor envolvido. Como seria a nossa vida sem ela? Qual seria o sentido de constituir uma família? Família tem problemas, briga, chora, faz as pazes, ri muito, corre pela casa brincando, canta, viaja, enfim qual família não tem problemas, sendo filhos do coração ou filhos biológicos? É muito bom ouvi-la mil vezes ao dia chamar mãe e pai.
Antes de adotar lemos muito, participamos de grupos de apoio a adoção, mas senti que não estava preparada o suficiente para os testes. Infelizmente não há material vasto e específico sobre o assunto e se formos pensar, quando queremos ser pais biológicos também não há material explicando como enfrentar os possíveis problemas que surgirão, mas falando de adoção é preciso falar sim dos testes que as crianças fazem e das devoluções que acontecem. Quando observo e converso com amigos meus, com seus filhos biológicos, vejo que as vezes há problemas mais sérios do que os nossos, nem por isso abandonam seus filhos por aí. Vejo que as justificativas para uma devolução são sem nenhuma consistência, não que haja uma justificativa certa para isto, mas devolver porque foi agredido fisicamente ou verbalmente por uma acriança ou adolescente também não parece ser argumento, mas sim, na minha opinião, faltou o querer se ajudar por parte dos pais. O não querer admitir muitas vezes que como pais estamos fazendo algo errado e que também estamos doentes psicologicamente.
As dicas que dou são, leia sobre adoção, frequente grupos de apoio à adoção antes da adoção, durante a adaptação e durante o tempo que for necessário, além disso, procure ajuda psicológica, psiquiátrica se for o caso. Cuide com quem você se aconselha sobre os seus problemas com o seu filho do coração, pois os conselhos podem levar à uma devolução se você não está seguro. Dê apoio psicológico para seu filho. Ele merece esse acompanhamento para acalmar o seu coração.
Uma das coisas que acreditamos que está dando certo é o diálogo. Converse sobre tudo com o seu filho, dedique esse tempo, aconselhe, fale a verdade sempre com parcimônia. Explique incessantemente, que um dia ele entenderá. Claro que as regras e limites não podem faltar. Lembre-se que com amor tudo é superado.
 
Viviane W. Lencina
Mãe por Adoção

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