Adoção Tardia e Religião

Muitas pessoas ao adotarem uma criança maior esperam que ela venha neutra, ou seja, que só pelo fato de ter uma família chegue se adaptando à tudo, perdendo a individualidade que já é dela.
Não é assim que acontece. Muitos chegam com religião da família biológica ou que tinham no abrigo. No caso das minhas, o abrigo era mantido por uma igreja evangélica e elas iam ao culto; antes disso na família que as devolveram eram mórmons. Nós somos espiritas e inclusive a escola que iríamos coloca-las seria espírita.
Como em casa a religiosidade sempre foi algo natural, sem imposições, a adaptação se deu aos poucos: começaram indo às atividades infantis no centro, depois conosco nas práticas de caridade… quando perguntavam algo que era diferente na igreja que iam eu respondia e deixava claro que tudo seria escolha delas; iam na igreja evangélica com a tia e a madrinha, mas obviamente que a maior parte do tempo participavam das atividades no centro conosco.
Aos poucos puderam perceber o que queriam e até hoje vão no centro pq querem, gostam da evangelização infantil espírita e se identificaram com a doutrina.
Mas caso quisessem ou um dia queiram ir em outra religião, jamais terão impedimento.
O conselho que dou é que quem tem uma religião e a criança chega com outra tenha paciência e tolerância. Mostre a religião e os valores morais aos poucos, sem estresse. Isso não se impõe, e a criança chega muitas vezes sem base, sem referência de nada na vida, porém com alguma bagagem própria. Não trate o assunto com alarde, tenha paciência que tudo vai se ajeitando. Às vezes não vai ser em uma semana, um mês, mas aos poucos a criança se integra.
Oremos: Saravá, Amém, Salaam Aleikum, Axé, Namastê, Hosana, Eledá, Assim seja!

 

Por Bia Rocha

Mãe por Adoção

Campo Grande

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