Elo e Adoção Tardia Lançam Vídeo Sobre Apadrinhamento

A Elo, em parceria com o Canal Adoção Tardia tem o prazer de lançar o vídeo institucional do projeto Apadrinhamento Afetivo.

A Elo,atualmente desenvolve o projeto Apadrinhar, em parceria com o judiciário, Universidades e prefeituras de diversas cidades do Rio Grande do Sul,  e uniu forças com o Adoção Tardia para produzir um material que fosse útil não apenas para divulgação, mas também como apoio a todas instituições que desenvolvem as capacitações do projeto pelo país.

No vídeo, há depoimentos de padrinhos, madrinhas e afilhada ddo Apadrinhar Canoas, assim como a coordenadora da Elo na cidade, Denise Maschio.

Assista e emocione-se conosco!

Mais informações envie e-mail para:

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G1 -Famílias de SC falam sobre a adoção de irmãos.

‘Não se trata de encontrar filhos para pais, mas pais para as crianças’

Em um dos casos, três irmãos estavam em um abrigo havia dois anos.

Por NSC TV

Famílias mostram que adoção é um amor que supera os laços físicos

Famílias mostram que adoção é um amor que supera os laços físicos.

A escolha por grupos de irmãos não costuma estar entre as primeiras para as famílias que querem adotar. Mas, em Santa Catarina, pelo menos dois casos mostram o quanto essa opção encheu de amor a vida tanto dos filhos quanto dos pais.

Uma família de Blumenau, no Vale do Itajaí, adotou três irmãos: Maria Eduarda, de 4 anos, Tales, de 5, e Ana Vitória, que tem 11. Eles estavam havia dois anos esperando por uma família em um abrigo.

O casal sempre teve vontade de adotar e o processo de habilitação demorou por volta de um ano. Assim que eles se inscreveram no cadastro de adoção, em apenas 13 dias, foram chamados. A jornalista Karoline Fernandes Pinto falou sobre como foi esse momento.

“A gente entra em trabalho de parto, né. Foi aquela correria, o meu esposo estava trabalhando, eu liguei para ele pra contar. E nós não tínhamos muitas informações, só sabíamos que eram 3 crianças e que nossos filhos tinham nascido para nós naquele momento. A gente não tinha pedido pra ver fotos e não tínhamos detalhes da vida deles. E no outro dia a gente já estava indo pra cidade em que eles estavam para que a gente pudesse se conhecer”, contou.

A partir desse momento, a família não se separou mais. “Não se trata de encontrar filhos para pais, mas pais para as crianças. O bem-estar da criança é que tem que estar em primeiro lugar”, disse Karoline.

 Karoline Fernandes Pinto e Jonathan Roloff são pais de Maria Eduarda, Tales e Ana Vitória. (Foto: Reprodução/NSC TV)

Karoline Fernandes Pinto e Jonathan Roloff são pais de Maria Eduarda, Tales e Ana Vitória. (Foto: Reprodução/NSC TV)

Para ela, muitos pais têm uma imagem diferente das crianças que estão à espera de serem adotadas.

“Se cria um filho utópico na cabeça que é longe do filho que está no abrigo esperando para ser amado e te dar todo o amor do mundo. Hoje em dia a maioria dos casais não aceita grupo de irmãos, não aceita a adoção inter-racial, não aceita a adoçao tardia e é o perfil da criança que está abrigada, que está acolhida”, disse Karoline.

Ana Vitória resume, em poucas palavras, como a vida dela se transformou no último ano. “Mudou porque eu tenho uma família, sou muito feliz. Porque antes eu não tinha”, falou.

O pai das três crianças, Jonathan Roloff, diz que não dá pra imaginar a vida sem os filhos. “Hoje, não faz sentido sem eles. Às vezes acontece de um deles dormir na casa de um dindo… e parece que já está faltando um pedaço de nós”, disse.

Para a comunicadora Cinthia Canziani, o sentimento não é diferente. Há 11 anos ela passou a dividir a vida com os dois filhos.

“Nós pedimos irmãos. Então eu não tive nem muito tempo. Eles falaram na segunda-feira: ‘Ó, estão aqui. Quer vir conhecer?’ Eu falei não, não estou indo comprar uma geladeira, nem um fogão. Não estou indo escolher. Se tu estás me ligando é porque eles são meus e eu não quero vê-los, quero vê-los na hora de ir buscar”, contou.

Na época, o mais velho tinha 3 anos e, o outro, 10 meses. “Foi toda uma adaptação. Eu não sabia nem como dava banho num menino. Eu venho de uma família que tenho duas irmãs, não sabia como cuidar de um menino. Tive que aprender do zero, digo que foi uma gestação muito rápida, que já nasceram grandes, mas eles que vieram pra me ensinar”.

Cinthia conta que ser mãe é um grande desafio, mas que aprendeu com os filhos. “É uma convivência diária de aprendizado, de temperamentos, de valores que essas crianças quando já são maiorzinhas já trazem consigo. Mas te digo uma coisa: o amor transforma. Os meus filhos são uma prova de que o amor transforma tudo ao redor”, disse.

A comunicadora diz ser a favor de não se usar o termo ‘filho adotivo’. “Não coloca o adotivo atrás, porque ele é filho. A criança vai achar que ela é diferente dos outros filhos e ela não é”, explicou.

“O amor que a gente dá a gente recebe 10 vezes mais. Eu levanto a bandeira da adoção porque eu acho uma das coisas mais fantásticas da vida. Que bom a gente poder dar amor pra quem a gente escolheu amar”.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/familias-de-sc-falam-sobre-a-adocao-de-irmaos-nao-se-trata-de-encontrar-filhos-para-pais-mas-pais-para-as-criancas.ghtml

Assista a emocionante história de Daniel, contada no Teleton 2017

No Teleton, maratona beneficente que foi transmitida pelo SBT nos últimos dias, uma história envolvendo um casal gay foi um dos destaques da edição deste ano.

É a história do garoto Daniel que nasceu com hidrocefalia e mielomeningocele, é paciente da AACD e foi adotado por Leandro e Diego após 90 casais desistiram de adotá-lo. Detalhe: nenhum dos casais nem se permitiu conhecer a criança. As dezenas de casais desistiram após verem o laudo médico do garoto com as informações a respeito dos problemas de saúde de Daniel.

“O laudo não falava do sorriso, não falava de como ele era esperto, não falava do que ele era possível” afirmaram os pais da criança. “Nós queríamos ser pais e ele chama nós dois de pais e quem estiver primeiro atende” disseram.

Confira o vídeo abaixo:

Fonte: Assista ao emocionante vídeo de casal gay que adotou um garoto fofo e contou a história no Teleton

Adoção Tardia e Religião

Muitas pessoas ao adotarem uma criança maior esperam que ela venha neutra, ou seja, que só pelo fato de ter uma família chegue se adaptando à tudo, perdendo a individualidade que já é dela.
Não é assim que acontece. Muitos chegam com religião da família biológica ou que tinham no abrigo. No caso das minhas, o abrigo era mantido por uma igreja evangélica e elas iam ao culto; antes disso na família que as devolveram eram mórmons. Nós somos espiritas e inclusive a escola que iríamos coloca-las seria espírita.
Como em casa a religiosidade sempre foi algo natural, sem imposições, a adaptação se deu aos poucos: começaram indo às atividades infantis no centro, depois conosco nas práticas de caridade… quando perguntavam algo que era diferente na igreja que iam eu respondia e deixava claro que tudo seria escolha delas; iam na igreja evangélica com a tia e a madrinha, mas obviamente que a maior parte do tempo participavam das atividades no centro conosco.
Aos poucos puderam perceber o que queriam e até hoje vão no centro pq querem, gostam da evangelização infantil espírita e se identificaram com a doutrina.
Mas caso quisessem ou um dia queiram ir em outra religião, jamais terão impedimento.
O conselho que dou é que quem tem uma religião e a criança chega com outra tenha paciência e tolerância. Mostre a religião e os valores morais aos poucos, sem estresse. Isso não se impõe, e a criança chega muitas vezes sem base, sem referência de nada na vida, porém com alguma bagagem própria. Não trate o assunto com alarde, tenha paciência que tudo vai se ajeitando. Às vezes não vai ser em uma semana, um mês, mas aos poucos a criança se integra.
Oremos: Saravá, Amém, Salaam Aleikum, Axé, Namastê, Hosana, Eledá, Assim seja!

 

Por Bia Rocha

Mãe por Adoção

Campo Grande Ler mais

Em carta comovente, cantora explica adoção após ‘não desejar filho da barriga’

Cantora Vanessa da Mata explica, em carta emocionante, por que nunca sonhou com “filho da barriga”, fala sobre o desejo pela adoção e, ao lembrar da chegada dos filhos, faz uma verdadeira declaração de amor

Vanessa da Mata filhos adoção
Vanessa da Mata com os filhos (dir)

Mãe de três crianças, Vanessa da Mata não é diferente de qualquer outra mãe que ama seus filhos. Mas o fato de as crianças terem surgido em sua vida por meio da adoção e não pela concepção faz com quem a cantora tenha que lidar com situações diferentes do que uma mãe biológica enfrentaria. Vanessa adotou Bianca, Filipe e Micael, três irmãos biológicos.

A cantora conta que as pessoas ainda têm muito preconceito em relação ao assunto. “Eu estava nos Estados Unidos e contei para os meus amigos de lá que ia adotar e eles fizeram um jantar para brindar. No Brasil, as pessoas diziam para eu não fazer isso, pelo amor de Deus. Foi decepcionante ver o preconceito. Algumas pessoas chegaram a falar que eu ia fazer isso para me promover, até por esse motivo eu prefiro não falar muito sobre o assunto”, disse.

“Minha falecida avó, Sinhá, a quem sempre fui muito ligada, teve sete filhos biológicos e adotou outros 20. Sim: ela tinha 20 filhos adotados. Portanto aprendi desde cedo que não é a gravidez que faz uma mulher ser mãe…é o amor. A maternidade é a experiência mais acertada da minha vida. Mas pude constatar na pele que ainda existe um preconceito muito grande em relação ao ato da adoção. Já cheguei a ouvir que eu teria feito isso para me promover. Também já ouvi afirmações grosseiras, na frente das crianças, inclusive…coisas do tipo ‘mas elas não são suas’. Ou seja: um desrespeito e uma falta de sensibilidade muito grande. Elas são minhas sim, oras. Se não são minhas, são de quem então?”, completou.

Recentemente, Vanessa publicou no Facebook uma carta comovente em que explica a história do processo de adoção e discorre acerca das condições dos abrigos para crianças no Brasil. A artista relata ainda que, se tivesse mais condições, “teria uns dez filhos de coração, estômago, pensamentos, de destino, de canções e arte de viver”. Leia abaixo o depoimento da cantora:

A vida muda a cada momento! Quase seis anos atrás, depois de não desejar filho da barriga, resolvi exercer a adoção, desejada desde a infância! Mas isso não aconteceu assim, rapidamente! Eu estava pensando em morar fora, Nova York, Canadá, para aprimorar as “aulinhas de inglês”! Estava me separando e resolvendo seguir fase nova na vida. Aí em uma visita a um abrigo, levei brinquedos e cobertores, “saí com três crianças” hahahaha …

Não foi tão fácil assim! Os trâmites de adoção são dificílimos, os pais adotivos e as crianças sofrem com a burocracia e demora e as crianças que muitas vezes chegam bebês, crescem lá dentro, sendo preteridas na adoção por outras menores. Mas NY, como era abstrata e podia ser adiada, ficou pra depois, enquanto as crianças não tinham mais tempo para esperar nem perder. Era uma adoção tardia. “Adoçao tardia” é aquela que acontece com crianças já crescidas! Crianças que têm experiências difíceis, porém um desejo enorme por uma família. Com todas as dificuldades que tiveram e têm, sabem o que é não ter. Então eu, meu ex-marido, quase separados, nos jogamos e assumimos pais com força na responsabilidade que é educar direito os três filhos e com muito amor.

Acabo de ser “apertada, amassada” por um dos filhos: “Minha mamãe é muito fofa meu Deusss”! Isso sim, “não tem preço” oh cartão de crédito! ahaha tão lindo!

Infelizmente há crianças crescendo dentro dos abrigos, sem amor e sem cuidado necessário para pequenos seres que foram deixados por tantos motivos doloridos. Crianças nos “abrigos”, são muito negligenciadas! Claro que não são todos, mas sofrem muito! Em muitos “abrigos”, as crianças são torturadas, mas não podem ter amor! Os “ajudantes” são proibidos de se envolver afetivamente, para não ter apego, caso elas sejam devolvidas as suas famílias de origem ou adotadas! Ficam à mercê da televisão ligada o dia inteiro, funcionários brutos, sem preparo algum, duros, sem cursos preparatórios, tratamentos psicológicos, sem nem o mínimo que seria ter funcionários gostassem de crianças, sem uma mínima sensibilidade para com eles. Não podem exercer o afeto, mas o desafeto… É visível! Ainda bem que existem abrigos aonde há uma educação religiosa, não fundamentalista. Aquelas que ensinam o amor, amar a si e ao próximo, não o ego do ser o único a entrar no reino de Deus! O amor divino, acho que é um alicerce, dá estrutura, é uma companhia que não falha ao acessar e se conectar.

Ainda temos que melhorar tanta coisa neste mundo, que não há tempo para descansar e nem para negligenciar, ficar quieto diante de tantos fardos e dores implantadas pela ignorância e descaso!

Fiz o disco “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias”, quando eles chegaram ainda no início no período de feitura no estúdio. De repente eu tinha trigêmeos. Vieram com cinco anos, seis e oito e meio e muita expectativa, medo, cheios de curiosidade e disposição para amar! Chegaram coincidentemente, ou nem tanto assim, no Dia das Mães, vejam vocês!!! A farra da família grande e nova, inclusive com vários tios adotivos, minha avó teve vinte adotivos e sete da barriga ao longo da vida, primos novos chegando, a calçada na casa de Mato Grosso no interior, sendo montada pelas crianças todas da família em um grande mosaico!

A música “Meu Aniversário”, onde falo deles no final e dessa turminha da família, tudo se descobrindo como se o mundo não tivesse existido.

Eu chorava o tempo todo! Me descobri mãe e as histórias se formando e tudo se transformando na minha frente, me fizeram ver os meus pais, minha avó que foi um ser de luz, um anjo, e a minha vida mudava por inteiro. Em uma semana eles já sorriam! Em duas, me chamavam de “minha mamãe” com um orgulho que doía, em duas e meias eles dormiam como se nunca pudessem podido, em um ano, o mais velho lia. Cada conquista uma celebração! O amor é um milagre, digno de mudar tudo, e todos que queiram e se deixam. Eu, mais do que nunca, acredito nisso!

Enquanto nenhum filho dos outros queria beijar os pais na porta da escola, pois estavam crescidos, os nossos faziam muito gosto, matavam de inveja os outros pais que nos olhavam derretidos: “Que delícia a minha mamãe e o meu papai!!!”.

Meu ex-marido é um pai maravilhoso. Levava os filhos no pescoço pelas ruas, girava-os no ar, ensinava com paciência. Muito orgulho de ter escolhido uma pessoa de caráter, firme, bondoso, saudável, de costumes saudáveis,querendo tanto ser pai, para dar exemplo e educar os meus, porque isso é uma responsabilidade enorme, e acho que é a da mulher. Escolher o pai de uma criança não é brincadeira, pois o poder da escolha do pai, é dela, já que tem o poder da gravidez! E muitos mudam na chegada do filho, mas muitos também pioram, continuam no “Mundo de Bob”, o filho vira apenas um status para os outros, não educam, não brincam, não dão limites, não ensinam sobre o mundo e suas armadilhas, não conversam e só pensam neles! Mas também o homem tem a sua responsabilidade na escolha de sua família. Um mãe maravilhosa é o mínimo!

Vou confessar uma coisa: se eu fosse uma cantora do gênero sertanejo e ganhasse muito mais dinheiro para dar uma estrutura melhor, teria uns dez filhos de coração, estômago, pensamentos, de destino, de canções e arte de viver! “Criança é bom demais” como dizia a minha avó amada!

Tanta gente tendo filho de um transa, sem querer! Eu tive muito tempo desejando, com advogado, esperando, chorando e… sem transa! É muito amor

Fonte: Em carta comovente, cantora explica adoção após ‘não desejar filho da barriga’

Matéria de 26/01/2016.

O Direito à Intimidade ou Redes sociais. Aprecie com moderação – Por Peterson Rodrigues

 

Redes Sociais. Não sou uma boa pessoa para isso. Desculpem.

Podem me chamar para entrevista ou dar palestra a uma plateia com duzentas pessoas por três horas, que conto toda nossa história, sem problemas. Mas estou vendo estas pessoas. Consigo sentir suas reações e sei o que e para quem estou falando. Sou mais do olho no olho.

Eu sinceramente acho que falo bastante sobre nós, mas há alguns terrenos que não acredito que combine com redes sociais.

Sou bem careta ao abordar algumas questões e ao mesmo tempo liberal demais em outras no tratamento com meu filho. Em casa falamos sobre tudo, sexualidade, religião, família biológica, drogas, identidade de gênero e outras coisas que são dele apenas. Mas isso tudo fica em casa ou no máximo nos grupos de amigos ou de apoio presenciais que participo. Presenciais.

Perturba-me ver pessoas usando as redes sociais como uma espécie de diário onde descrevem desde a diarreia até a fimose do filho. Algumas coisas são constrangedoras e não são legais de compartilhar ou necessárias. Claro que existem casos de utilidade publica mesmo, mas às vezes pela necessidade de ‘alimentar’ aquele espaço com conteúdo, as pessoas se expõem demais e o pior, expõem seus filhos.

Acho que existe local para tudo. Um grupo de Whatsapp, por exemplo, tem até 250 pessoas. Se forem outros aplicativos, até mais. As pessoas estão ali para falar de adoção e existem milhões de grupos assim. A Elo possui alguns. São grupos que unem as pessoas por um tema em comum e isso é muito útil. Informações relevantes, experiências são trocadas ali de forma que auxilia tanto aqueles que aguardam quanto os que já adotaram seus filhos e passam pelos testes e provas do pós-adoção. Porém, esse compartilhar as vezes se transforma em papo de comadre ou superexposição de crianças que estão em um momento delicadíssimo.

A adoção não é troféu para ninguém e não somos obrigados a prestar contas para o mundo do dia a dia dos nossos filhos apesar de gerar curiosidade. É importante fazer, ter pessoas para se apoiar, mostrar e divulgar casos de sucesso para que a adoção seja vista como uma forma de ter filhos. Simples assim.

Vejo pessoas em seus extremos. As que afirmam que os sinos tocam a cada data. E aquelas que por quererem mostrar a realidade, expõem as fases negativas e testes de uma forma sensacionalista e sem buscar ajuda profissional. Fico na dúvida se estas pessoas procuram a afirmação que precisam para a devolução ou consolidar-se como mártir ou ser evoluído por passar por todas essas provações. Eu passei pelas minhas e ainda passarei por mais e de evoluído estou longe. Só quero ser pai.

Às vezes quando falo isso, soa contraditório, pois fundei um grupo de apoio à adoção e apareci em dezenas de matérias na mídia contando nossa história.

Mas porque fiz isso? Para receber ajuda também. Isso mesmo, sem hipocrisia. Não sou técnico ainda e não tenho um terço da experiência dos profissionais que me cercam. Sei que estando presidente de uma ONG, às vezes sou visto como referência e as pessoas buscam em mim algumas repostas. Mas uma coisa que aprendi minha vida profissional sempre foi. ‘Se você não tem a resposta, vá atrás de quem sabe’. E assim eu tenho feito em várias questões da minha vida.

Hoje corremos atrás de parcerias para que as pessoas tenham assistência profissional e qualificada, melhor do que eu pessoalmente poderia fazer. Quando falo em público ou escrevo em redes sociais é como pai, compartilhando minha experiência pessoal e jamais fazer com que esta seja uma regra. Pois cada caso é único, cada adoção tem sua forma especial da magia acontecer e por isso, assumo minha limitação técnica e participo dos grupos não apenas para compartilhar, mas muito mais para aprender e desculpem os que discordam, mas tem coisas que antes de ir para um grupo de desconhecidos, melhor chegar a um profissional.

Reconheço a importância dos grupos e as trocas virtuais, mas a mediação de um profissional é muito importante para nosso crescimento para assim não nos basearmos apenas nas vivências alheias e sim termos respaldo técnico.

Precisamos nos basear mais em experiências vividas do que compartilhadas, pois cada um tem a sua verdade. Para isso, saia do virtual e permita-se viver o real.

 

Peterson Rodrigues é pai por adoção, graduando em Serviço Social, fundador e atual presidente da Elo.

Deu defeito? Apertando os Parafusos – por Peterson Rodrigues

Costumo dizer que a criança que você conhece no primeiro dia é uma; a que a equipe técnica te apresenta quando conta sua história é outra; a que visita a sua casa é outra e finalmente quando vem para casa definitivamente é outra. Qual dessas versões é a real? Todas. Nós somos assim, mudamos de acordo com o ambiente.

Uma coisa é certa, as ‘primeiras’ se esforçam para conquistar você, a ‘da equipe’ às vezes lhe assusta e a ‘versão definitiva’ geralmente dá defeito no transporte e cabe a você ir apertando os parafusos com o tempo.

Deixe-me explicar melhor.

Conheci um menino lindo e bagunceiro que me escolheu, sentou no meu colo e preocupou-se se eu estava ou não comendo na festa do apadrinhamento. Encantei.

Quanto fui saber da sua história, veio a parte séria. Assustei.

Durante o apadrinhamento, testou no início, se acostumou com a rotina e não conseguimos mais ficar longe. Apaixonei.

Quando veio para casa definitivamente, na mesma semana, os testes triplicaram, beirando revolta e o namoro acabou. Virou coisa séria. Parece que quebrou no transporte. Surtei.

Custei um pouco a entender porque nosso maior desejo (nos adotarmos) havia virado um problema depois de realizado.

Sorte que havia lido muito e quando Lucas chegou já frequentava grupos de apoio à adoção e podia trocar experiências, então eu já esperava pelos testes, apesar de achar que devido nossa convivência de dois anos de apadrinhamento tudo seria mais fácil. Até que foi, mas nem tanto.

Quando veio para casa, do nada, meu amado começou a surtar quando eu pedia para ir tomar banho, escovar os dentes, arrumar-se para ir para a escola, comer, etc.

Lembro-me da cena dele gritando embaixo do chuveiro: ‘Eu achei que ia ter uma vida boa!’.

Isso me fez refletir também sobre o que é a adoção na visão das crianças que são institucionalizadas desde muito cedo e não tem uma noção de família. Para muitos é isso mesmo. Ter uma vida boa, ter coisas materiais e a chance de sair do abrigo. Comecei a entender que o que estava rolando era uma frustração de achar que não teria regras ou mesmo o maior medo da maioria dos adotados: a devolução. Sem contar o sentimento de culpa em separar-se da família e as crises de choro que já mencionei.

Caberia agora aos poucos apertarmos os parafusos e com o tempo nos acertarmos.

Errei muito, dei muita bronca e peguei pesado até demais no início. Mas ao mesmo tempo, nunca o deixei perceber minha insegurança. O melhor que fiz foi deixar claro que era definitivo independente do caos que fosse criado, que eu não o devolveria e ele não poderia me devolver.

Certa vez, ele pegou a mochila, encheu de brinquedos e roupas e disse que iria embora. Eu abri a porta e mandei ir. Disse que se fosse não voltava e que deveria deixar tudo que eu havia dado a ele já que ele não gostava de mim. Por dentro eu estava destroçado.

Não foi. Parou na porta. Deu um tempo depois veio dizer que me ama com uma frase que guardarei para sempre: ‘Desculpa, eu não tô acostumado a ter pai.’ Respondi: ‘ Também não tô acostumado a ter filho, mas tô muito feliz’.

Essa situação caótica nos aproximou muito e fomos aos poucos, nos entendendo e aprendendo muito.

Hoje estamos mais seguros e ainda errando muito na tentativa de acertar.

 

Peterson Rodrigues

Pai do Lucas

ANTES MADRINHAS, AGORA MÃES – Por Tays e Lúcia

Nos conhecemos em Porto Alegre mesmo, começamos a namorar e três anos  depois casamos no civil. Nossos planos sempre foram de após uns dois anos casadas fazer fertilização pois ambas tinham vontade de ser mães.
Alguns meses após nosso casamento, estávamos navegando na internet e nos deparamos com o programa de “apadrinhamento afetivo”. Lemos bastante sobre o assunto e decidimos nos inscrever no programa, já que não pretendíamos ser mães logo. Passamos por um mês de reuniões e entrevistas, fizemos um portfólio nosso nos apresentando e uma criança com a ajuda dos técnicos  nos escolheria como madrinhas. Dia 24 de agosto de 2016 soubemos que nosso afilhado se chamava Samuel, que tinha 8 anos e nos mandou uma foto dele e duas cartinhas. Na hora nos arrepiamos todas… e voltamos para casa muito ansiosas para conhecê-lo.
    Na semana seguinte fomos no abrigo conhecê-lo. Quando nos aproximamos da casa avistamos ele grudado no portão esperando. Nos avistou e entrou correndo pra  casa com vergonha. Passamos uma hora com ele, ele bem tímido respondia apenas o que perguntavamos. Soubemos nesse dia que na semana seguinte ele faria uma cirurgia, adenoides e tiraria as amígdalas. Fomos no hospital ver ele mas no dia seguinte retornaria ao abrigo e ficaria 15 dias de repouso sem ir na escola. Pensamos na hora que nós adultas quando ficamos doentes ja ficamos mais carentes,  o que dirá uma criança sem poder ter um colo só pra ela… então íamos direto nesses 15 dias ao abrigo cuidar do Samuel como podíamos.  Levamos iogurtes,  flans, o que fosse pastoso que ele pudesse comer.
    Nossa intenção como madrinhas era inicialmente ver o ou a afilhada a cada final de semana ou 15 dias… mal sabíamos que após esses dias “intensivos” cuidando dele não conseguíamos mais ficar muito tempo longe. Íamos ao abrigo umas 4 vezes na semana. Iamos ver ele na ginástica também.
    Em novembro teve audiência concentrada e a juíza assinou o documento do apadrinhamento e pudemos começar a pegar o Samuel para passar os finais de semanas na nossa casa. No segundo final de semana que levamos ele pro abrigo de volta, sentimos um vazio quando voltamos pra casa… como se faltasse algo em nosso lar… nos demos conta que estava difícil ficarmos longe do Samuel… Após muita conversa decidimos entrar com pedido de adoção mas lógico, antes perguntando se também seria a vontade dele ser nosso filho.
    Entramos com o pedido em dezembro de 2016. Passamos boa parte das férias dele juntos, viajamos, fizemos inúmeras coisas que só fortaleceu nosso vínculo de mães de filho. E em 07/04/2017 recebemos nosso maior presente… a noticia que na audiência de destituição do Samuel no dia 04/04 o juiz assinou o documento nos dando a guarda provisória dele Nossos planos antes de conhecer o Samuel jamais  foi de adotar uma criança e sim termos um filho biológico, mas esse amor por ele foi crescendo de tal forma que nem pensamos mais em fertilização pois esse amor incondicional que temos por ele preencheu 100% nossos desejos de sermos mães..Enfim, nossa família agora está completa!
Tays Parente 
Lúcia Traub

 

Samuel

Fonte: ELO – Organização de Apoio à ADOÇÃO: ANTES MADRINHAS, AGORA MÃES – Por Tays e Lúcia

Não tivemos Preconceito – Por Cláudia e Marcelo

 

Acompanhe esta linda história até a chegada do Samuel. Emocione-se conosco!

Meu nome é Cláudia e conheci o  Marcelo em 2007 quando ele  foi transferido para a mesma cidade onde eu já trabalhava, acabamos por ironia do destino sendo colegas de trabalho. Fomos nos aproximando e da amizade nasceu o amor.  Fomos morar juntos com apenas 6 meses de namoro e de lá para cá viemos construindo nossa história.
Eu já tinha meu filho Gabriel, na época com 7 anos e hoje com 16, de um relacionamento anterior. O Marcelo acabou de certa forma adotando pela primeira vez e isso me fez perceber que eu queria ter um filho com ele, pois ele sim era um excelente pai. Apesar de exigente, sempre muito amoroso e preocupado. Vive e morre pela família.
Com o passar do tempo a vontade  de ter um filho  foi aumentando , porém, sempre achamos uma desculpa: não temos condições no momento, vamos curtir mais um pouco, o Gabriel ainda é muito  novo, vamos nos estabilizar, etc. E o tempo vai passando e passando…quando estávamos há 3 anos juntos, recebemos uma notícia bombástica: o Marcelo estava com câncer. Além do susto de  vê-lo enfrentar essa doença tão temida ainda tivemos que pensar na possibilidade de não termos filhos. Pedimos então para o médico que fizesse um espermograma pois tínhamos esperança  de congelarmos o sêmen para uma futura fertilização, mas nesse momento recebemos outro golpe: o espermograma veio zerado! Gelamos ao perceber que não poderíamos ter filhos.
Essa notícia veio como um balde de água fria, pois, por mais que no momento não quiséssemos ter um filho, tínhamos esperança de tê-lo futuramente e a certeza de não ter opção é terrível. Começamos então a pesquisar sobre fertilizações e tratamentos, tudo muito caro, distante da nossa realidade. Acabamos descobrindo uma clínica maravilhosa que tinha um programa de ovodoação…estava aí a salvação! Eu doaria parte dos meus óvulos em troca do tratamento…mas, como a vida é uma caixinha de surpresas, não foi dessa forma também, pois ao iniciar o cadastro e ter os exames todos ótimos, esperei dois anos para ser chamada e ao iniciar o tratamento descubro que dessa vez é meu corpo que me prega uma peça e eu não produzo óvulos suficientes. Eu já estava no limite da idade para ser doadora e só sobraria a opção de fazer o tratamento particular, mas ainda assim não estávamos preparados para isso.
Após esse período, apesar de já estarmos conversando sobre adoção, eu fiquei enlutada. Precisava sofrer e chorar toda a mágoa de não poder gerar novamente. Eu queria um filho adotivo, mas antes queria gerar…e o tempo que passou após esse luto foi fundamental para nossa decisão na adoção pois acabamos apadrinhando uma criança, mudamos o foco e pudemos ver outra realidade, outra forma de amar. Fomos então amadurecendo nosso perfil, conversando sobre o assunto e pesquisando também até que demos entrada no processo no ano de 2014. Paramos para conversar sobre o tal perfil( essa parte parece meio fria, mas é necessária)… o que estaríamos dispostos a ” escolher”? Qual seria nosso limite? Quais as nossas restrições? Se fosse um filho biológico, poderíamos escolher alguma coisa?  Pensando em nossa vida e no que poderíamos oferecer à criança, decidimos que nossa única restrição seria uma criança com deficiência, não pelo preconceito ou medo, mas por falta de estrutura física para acolhê-la. Desde o início não queríamos dar uma passo maior que a perna e se queremos sermos bons pais, precisamos pensar no que podemos oferecer para o filho. Em abril de 2015 recebemos a notícia que estávamos habilitados, depois de um ano de espera e tramites. Agora, segundo todo mundo nos falava , era sentar  e esperar longos anos até que nosso filho chegasse, pois nosso perfil tinha o limite de idade para uma criança de 3 anos .
Após a habilitação ainda tínhamos esperança de tentarmos uma gravidez, mas por incrível que possa parecer, aquela necessidade, aquela vontade, aquela urgência de gerar foi morrendo dentro de mim, deixou de fazer sentido e foi tao natural que quando nos chamaram no fórum, eu estava serena! Sim…fomos chamados exatamente 1 anos após sermos habilitados e quase caímos para trás com a notícia, pois esperávamos mais uns 4 ou 5 anos de espera! Fomos chamados para um garoto lindo, mas não podemos ficar com ele em função de alguns problemas de saúde que escapava das nossas possibilidades, não poderíamos dar a ele o conforto necessário. Ficamos arrasados, moídos por dentro por dizer não ao filho que tanto queríamos…a assistente social nos diz então: não descansem muito, pois vocês estão com contrações! Essa frase nos intrigou, mas como sabemos que as coisas jurídicas são lentas,  achamos que as contrações levariam mais um ano..mas para nosso engano durou exato um mês! No dia 10/05/2016, a assistente social liga dizendo que nossa bolsa tinha estourado e que poderíamos conhecer um menino, nascido no  dia 01/03/2016, juro que eu ouvi os sinos e sabia que era nosso filho! Fomos conhecer a história dele e na hora de vermos a foto já sabíamos que era nosso, finalmente nos reencontraríamos. Tivemos que aguardar um final de semana sem fim para então  conhecer nosso amado e o encontro foi arrepiante! Do nada nos dão no colo um pacotinho gordinho, simpático, lindo, perfeito…nosso Samuel! Era nosso e não sabíamos se ríamos ou se chorávamos porque a sensação daquele momento é algo totalmente diferente de tudo,  era um reencontro de almas…era para ser nosso! Se algum dia eu tive medo de não conseguir amar um filho que não foi gerado, a dúvida morreu ali pois o amor é instantâneo. Pari de pé e é tão lindo quanto um parto normal…pude viver as duas gestações: a do ventre e a do coração!
Bom, muit

as pessoas nos questionam porque nossa adoção foi tão rápida se tem pessoas há anos esperando um filho e nossa resposta é: não tivemos preconceito. Nosso filho teve uma genitora usuária de drogas, hiv positiva e portadora de sífilis…muitas pessoas fecham o coração para crianças soropositivas, mas nós jamais cogitamos não escolher uma criança nesse perfil porque sabemos que é tratável , que nosso filho não ia morrer cedo porque essa

 

doença não é sentença de morte. Para nossa surpresa, apesar do Samuel ter sido exposto, ele nasceu negativado, irá  fazer acompanhamento  até os 18 meses, mas as chances são mínimas e se mesmo assim a doença aparecer, nós estaremos ao lado dele para mais essa batalha , ele é nosso e vamos cuidar dele! Ele vai ser amado e protegido sempre!
Esperamos poder ajudar muitos casais que pensam nesse perfil mas ainda têm medo  e esperamos que cada vez mais crianças expostas ou soropositivas tenham chance de crescerem no seio de uma família!

 

Fonte: ELO – Organização de Apoio à ADOÇÃO: Não tivemos Preconceito – Por Cláudia e Marcelo

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