Entidades criticam projeto do Senado que cria o Estatuto da Adoção

Olga Arnt – MTE 14323 – 19:00 – 13/08/2018 – Foto: Guerreiro

Especialistas e representantes de entidades se manifestaram contra o Projeto de Lei 394/2017 do Senado Federal, conhecido como Estatuto da Adoção, em audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Jeferson fernandes (PT), na tarde desta segunda-feira (13). O texto, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), flexibiliza as normas para a adoção e perda do poder parental, quando o Estado assume a tutela dos filhos.

Uma das principais críticas ao projeto é que ele afronta o Estatuto da Criança e do Adolescente à medida em que desassocia a adoção de medidas de proteção e de investimentos em políticas sociais. “O ECA reconhece a família como o lugar privilegiado de afeto e desenvolvimento humano. Em vez de mudanças legislativas, é preciso que políticas públicas fortaleçam isso e atuem para valorizar os vínculos afetivos”, frisou a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Lúcia Flesch.

Na mesma linha, o representante do Conselho Regional de Serviço Social Giovane Scherer afirmou que o Estatuto da Adoção criminaliza a pobreza. “As crianças pobres e negras sofrerão a lógica da criminalização da pobreza, que remete ao acolhimento institucional e à retirada do poder parental de forma perversa”, alertou.

Objetos
Para a integrante do Conselho Federal de Serviço Social Daniele Muller, o Estatuto da Adoção transforma crianças e adolescentes em “meros objetos”. “A quem a nova lei vai beneficiar? Com quem o legislador está preocupado? Assim como o ECA apresenta uma série de medidas para proteger as crianças e adolescentes, o Estatuto da Adoção apresenta medidas que facilitam a retirada do poder parental e a adoção”, comparou. Ela revelou ainda que as políticas sociais aparecem numa rápida menção na proposta que circula no Senado Federal. Só há descrição minuciosa do acolhimento institucional e do acolhimento familiar.

Já a procuradora Maria Regina Azambuja apresentou uma análise de diversos artigos do Estatuto da Adoção e classificou a proposta de “iniciativa irresponsável” às avessas da proteção integral de crianças e adolescentes. Ao ressaltar que as posições que expressa são de natureza pessoal e não necessariamente correspondem ao entendimento do Ministério Público sobre o tema, a procuradora defendeu a identificação dos entraves que impedem a convivência familiar e, a partir daí, a realização e eventuais reparos na legislação. Segundo ela, o Estatuto da Adoção representa uma “subversão da ordem jurídica e o extermínio do ECA, um patrimônio da infância brasileira, em nome de falsas esperanças”.

 

 

Reavaliação
O juiz aposentado João Batista Saraiva, representante do Instituto Brasileiro do Direito da Criança e do Adolescente, considera inadequada a aprovação do Estatuto num momento difícil da vida nacional, com pouca discussão e num ambiente em que as últimas alterações no Estatuto da Criança e do Adolescentes sequer foram implementadas. Embora a entidade que representa não tenha posição fechada sobre o projeto de lei, Saraiva considera que, como está, o projeto traz riscos à operacionalidade do sistema e precisa ser reavaliado.

Ele afirmou ainda que a proposta subtrai do ECA a política de proteção e transforma adoção em política pública, “A ideia de que a adoção será uma política pública para resolver situações de vulnerabilidade das crianças fragiliza suas garantias”, ponderou.

Institucionalização
A vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM), Maria Berenice Dias, defendeu a proposta. Para ela, que colaborou na sua elaboração, o projeto de lei busca resolver o problema do número elevado de crianç

as institucionalizadas. “São evidentes as inviabilidades para agilizar a adoção dentro do ECA. O próprio cadastro do Conselho Nacional de Justiça, que deveria agilizar as adoções, está parado há quatro anos”, ressaltou.

Maria Berenice considera, no entanto, que o “Estatuto da Adoção não é uma obra completa”, mas que representa uma alternativa para agilizar uma solução para crianças e adolescentes que, em muitos casos, não têm famílias.

O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos afirmou que as críticas ao projeto não significam contrariedade à prática

 da adoção. “Sou favorável à adoção, mas com critérios. Não podemos admitir que uma legislação imponha uma dupla penalização às crianças, representada pela vulnerabilidade e pelo rompimento de vínculos”, apontou Jeferson, que é pai adotivo de

uma adolescente.

No final do encontro, as entidades aprovaram o envio de uma moção ao autor do projeto e ao seu relator, senador Paulo Paim (PT/RS), pedindo a retirada da matéria do Senado Federal.

Fonte: http://www2.al.rs.gov.br/noticias/ExibeNoticia/tabid/5374/Default.aspx?IdMateria=314816

Adoção tardia: história de homens solteiros que se tornaram pais – Mundo Masculino – iG

Por William Amorim 

Uanderson Barreto já adotou cinco meninos de 10 a 16 anos e está em processo para a sexta adoção; já Peterson dos Santos é homossexual e conseguiu adotar um menino de nove anos através do apadrinhamento

Eles são homens, solteiros e que possuíam um sonho em comum, o de se tornar pai, algo que foi possível com a adoção tardia. O enfermeiro Uanderson Barreto, de 38 anos, já adotou cinco meninos e está em processo para conseguir a guarda do sexto.

Tanto Uanderson quanto Peterson são homens solteiros que quiserem ser pais e optaram pela adoção tardia
Arquivo pessoal

Tanto Uanderson quanto Peterson são homens solteiros que quiserem ser pais e optaram pela adoção tardia

Já o comerciário Peterson Rodrigues dos Santos, de 37 anos, é homossexual e descobriu através do apadrinhamento que, para adotar, basta querer ser um verdadeiro pai . Ambos quebraram estereótipos, optaram pela adoção tardia e, agora, são provas vivas de que uma família é, na verdade, um sinônimo de amor, cuidado e respeito.

“ Meu sonho é conseguir tirar 10 crianças que têm poucas chances de serem adotadas de um abrigo”

A avó de Barreto teve dez filhos e adotou mais um, e isso sempre foi uma inspiração para o neto. “A adoção sempre foi uma realidade na minha família, e meu sonho é conseguir tirar dez crianças que têm poucas chances de serem adotadas de um abrigo”.

O sonho dele começou a se tornar realidade anos depois da primeira tentativa de adoção tardia, quando o enfermeiro, que mora na cidade Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, voltou a visitar um abrigo da região.

“Quando cheguei lá, me disseram que tinham um menino maravilhoso para me apresentar, o João, de dez anos. Quando eu o vi, foi um encontro de almas. O processo de adoção não foi complicado por eu ser pai solteiro. Hoje em dia, a lei está mais flexível e não exige que você seja casado, mas o processo de adoção por si só é demorado e burocrático, por uma necessidade de analisar o perfil de quem quer ficar a criança, um processo natural e de segurança.”

Depois de enfrentar toda a parte burocrática, Barreto conseguiu adotar João, porém descobriu que ele tinha um irmão, o Daniel, de 12 anos, que possui necessidades especiais por ter um grave retardo mental. Sem pensar duas vezes, o carioca decidiu entrar novamente com um processo de adoção tardia para não separar os irmãos.

O pai optou pela adoção tardia de cinco meninos por saber que as chances deles serem adotados eram baixas
Arquivo pessoal

O pai optou pela adoção tardia de cinco meninos por saber que as chances deles serem adotados eram baixas

“Não senti em momento algum medo de assumir a paternidade sozinho. Claro que tive certa insegurança imaginando se daria conta de tudo, mas as pessoas à minha volta, como minha mãe e meus amigos, passaram a me ajudar. Deus nunca mais me deixou sozinho. Depois dos meus filhos, descobri que sempre vou encontrar apoio”, afirma.

A nova vida como pai seguia bem, mas, ao fazer uma nova visita com a mãe dele ao abrigo, conheceu Alexandre, de 16 anos. No dia, era a festa de aniversário do menino, e Barreto ficou sensibilizado porque sabia que as chance dele ser adotado com essa idade eram quase nulas. Diante dessa delicada situação, o enfermeiro decidiu novamente optar pela adoção tardia e iniciou um novo processo de adoção.

“ Eu me impus como pai, dando amor e limites, porque essas coisas são fundamentais para criar um filho”

“Não satisfeito, fui a outro abrigo e conheci o Pedro, de oito anos. Ele não queria ser adotado por ninguém, mas aceitou vir passar um Natal na minha casa e nunca mais quis voltar para o abrigo”, lembra.

“Eu fiquei com a guarda provisória dele e depois parti para a adoção. O detalhe é que Pedro tinha um irmão, José Carlos, de 16 anos. Mais uma vez, não quis separar os irmãos e também resolvi adotar o José Carlos, que no processo de adoção mudou o nome para Leonardo.”

Foi assim que Barreto concretizou a adoção dos seus cinco filhos. “A adaptação das crianças foi tranquila, não teve nenhum momento conflituoso. Eu me impus como pai, dando amor e limites, porque essas coisas são fundamentais para criar um filho e, graças a Deus, todos vivemos super bem, harmoniosamente. Claro que existem problemas, umas fases complicadas, mas sempre nos resolvemos na conversa”, relata o pai.

Após a adoção tardia, todos conseguiram ser entender e o convívio em casa é bem tranquilo mesmo estando lotada
Arquivo pessoal

Após a adoção tardia, todos conseguiram ser entender e o convívio em casa é bem tranquilo mesmo estando lotada

Com uma casa tão movimentada, o enfermeiro, que também é servidor público como auxiliar de serviços gerais, teve que adaptar o orçamento. Por mês, são consumidos na casa dele cerca de 40 kg de arroz e 15 kg de feijão, fora a mistura e todos os outros mantimentos.

A conta de água e luz também aumentou consideravelmente, mas tudo isso não é um problema para Barreto, que diz aos risos que não compra mais nada para ele, tudo é para os filhos. “Ser pai de tantos meninos é a história mais bonita da minha vida, eu realmente acho isso lindo.”

“ Ser pai de tantos meninos é a história mais bonita da minha vida. As pessoas brincam que cada Dia dos Pais eu passo com um filho novo”

A principal dificuldade que o pai enfrentou foi com a escola, pois os meninos tiveram uma  defasagem muito grande de estudo e, conforme conta o servidor público, os professores, às vezes, não entendiam isso.

“Eu os ajudei muito porque quero sempre estar presente para cuidar deles e garantir que se sintam felizes, esse é o meu compromisso como pai”, enfatiza.

Agora, Barreto está esperando seu sexto filho, mais uma adoção tardia de um menino (cujo nome não pode ser citado por ele estar em processo de adoção). O que pode ser divulgado é que ele tem 13 anos, é negro e nunca tinha recebido uma visita de alguém interessado em adotá-lo. A guarda provisória está para sair e, por isso, o Dia dos Pais deste ano ganhou um significado ainda mais especial para o enfermeiro.

“As pessoas brincam que cada Dia dos Pais eu passo com um filho novo. Eu sou um defensor da causa, incentivo as pessoas a adotarem. Meu sonho é ter dez filhos e estou tentando concretizar isso”, afirma o pai, que montou uma página no Facebook chamada “Adotando Vidas”, com o intuito de formar uma corrente do bem para ajudar as pessoas que mais precisam, como moradores de rua, e todos os filhos dele ajudam nesse projeto solidário.

Adoção tardia é possível para todos, basta querer

Peterson adotou João quando ele tinha nove anos, e essa é uma prova de que a adoção tardia pode transformar vidas
Arquivo pessoal

Peterson adotou João quando ele tinha nove anos, e essa é uma prova de que a adoção tardia pode transformar vidas

Em agosto de 2013, Santos decidiu que faria um trabalho voluntário e resolveu conhecer o apadrinhamento afetivo, que é uma forma de proporcionar uma convivência familiar e comunitária a crianças e adolescentes que possuem poucas chances de serem adotadas.

“É um projeto mais parecido com um voluntariado, no qual as pessoas da comunidade se inscrevem para se tornar padrinhos de crianças que estão há muito tempo no abrigo. E, mal sabia eu que esse seria o meu primeiro passo para a adoção tardia.”

“ Tinha certeza de que eu jamais seria pai por ser homossexual, solteiro e pobre”

Para se tornar padrinho, o comerciário precisou participar de várias oficinas, e a todo o momento ele achava que seria barrado em alguma etapa desse processo, mas ele estava enganado.

“Eu achava que esse voluntariado seria uma maneira de fazer o bem e suprir alguma carência que eu possuía porque, na minha cabeça, eu tinha certeza de que eu jamais seria pai por ser homossexual, solteiro e pobre”, revela em entrevista ao Deles .

Após todas as oficinas, houve uma festa para os padrinhos conhecerem as crianças. Santos lembra que ele usava uma fita verde no braço e, durante a festa, se ele se identificasse com alguma criança deveria colocar uma fita vermelha nela para que ninguém mais a escolhesse para apadrinhar. Foi nessa ocasião que o comerciário, que mora no Rio Grande do Sul, conheceu o Lucas.

“Lembro que tinha uma criança que só corria e não deixava ninguém chegar perto dela, achei que tinha cinco anos, mas depois descobri que tinha sete. Ele chegou perto de mim, me deu um balão e disse: ‘Tio, segura para mim? ’, eu segurei. Depois, ele voltou com um casaco e pediu para eu segurar também. Quando ele veio pela terceira vez, eu perguntei: ‘Você já tem um ‘dindo’? E ele disse: ‘Sim, é você’. Ali minha vida mudou, pois foi ele quem me escolheu.”

A adoção tardia aconteceu através do apadrinhamento, foi através desse voluntariado que pai e filho se conheceram
Arquivo pessoal

A adoção tardia aconteceu através do apadrinhamento, foi através desse voluntariado que pai e filho se conheceram

O apadrinhamento já aconteceu nesse mesmo dia e, nos dois anos seguintes, Santos pegava Lucas todos os finais de semana para ficar com ele e nas férias também. “Em 2016, ele foi destituído do poder familiar, ou seja, o Lucas foi colocado para adoção. Eu percebi que não conseguia mais ficar longe dele, então decidi entrar com um processo para tentar conseguir a guarda.”

O processo foi bem demorado, foi mais de um ano até essa adoção tardia se concretizar . Santos lembra que até que o processo fosse concluído, ele nunca deixou que Lucas o chamasse de pai. “Não queria criar uma falsa expectativa nem nele e nem em mim. Nós tínhamos um parecer favorável da assistente social e do juiz, mas faltava uma assinatura para poder trazê-lo para casa de vez. Quando deu certo, não conseguia acreditar no que estava acontecendo”.

O comerciário costuma dizer que o “parto” do Lucas aconteceu no hospital, porque quando a guarda saiu, o menino estava em uma consulta médica, e o pai combinou com o abrigo que iria buscar o agora filho no hospital para levá-lo para o seu novo lar. No início, Santos recebeu uma certidão provisória e, durante seis meses, ele foi acompanhado por assistentes sociais. Só depois desse período, conseguiu a guarda definitiva.

Peterson costuma dizer que ele foi escolhido por Lucas para a adoção tardia e não o contrário
Arquivo pessoal

Peterson costuma dizer que ele foi escolhido por Lucas para a adoção tardia e não o contrário

O gaúcho morava sozinho, mas após a adoção tardia voltou a viver com a mãe. Ele explica que tomou essa atitude porque após ter um filho não é só a situação financeira que muda, mas a logística também, e sozinho não conseguiria conciliar a função de pai com o trabalho, a faculdade e as ações voluntárias.

Entretanto, a mudança de casa, na verdade, foi só um detalhe.  “Todas as minhas dificuldades foram antes da adoção tardia porque eu não tinha informação. Hoje, faço questão de enfatizar que todos que querem têm a oportunidade de adotar, e todas as crianças são adotáveis, meu filho veio para casa com nove anos e agora já está com 12”, diz o pai que sente que ele acolheu, mas também foi acolhido.

“Nós nos adotamos! No início, eu jamais imaginava que eu teria filhos porque achava que não conseguiria adotar, eu sempre achei que viveria à margem da sociedade por ser homossexual e, hoje, sei que posso fazer o que eu quiser”, afirma. “A adoção mudou minha vida totalmente e, após essa experiência, eu decidi que quero ser assistente social e já estou quase concluindo o meu curso. Também fundei uma ONG que oferece grupos de apoio à adoção em várias cidades do Rio Grande do Sul e também realiza a capacitação para o apadrinhamento afetivo.”

“ Adoção não é uma caridade, porque ser pai e mãe não é algo passageiro”

O futuro assistente social fala que Lucas é um grande parceiro dele e que após a adoção tardia  a relação deles passou a ser literalmente de pai e filho que se respeitam e se amam. “As pessoas me dão parabéns, mas não vejo dessa forma, acredito que é um grande erro quando as pessoas que adotam começam a acreditar nos elogios que recebem e acham que realmente são especiais por terem tirado uma criança de um abrigo. Não é desse jeito, porque adoção não é uma caridade, porque ser pai e mãe não é algo passageiro, é para sempre”, conclui.

Fonte: Deles – iG @ https://deles.ig.com.br/mundo-masculino/2018-08-12/pai-solteiro-adocao-tardia.html

Na Mídia: Seja um padrinho afetivo

por Eduardo Torres | Publicada em 27/07/2018 às 12h02| Atualizada em 27/07/2018 às 12h06

Está escrito no Estatuto da Criança e do Adolescente: todos têm o direito à convivência familiar e comunitária. Quando se trata de crianças mantidas em abrigos pelo poder público, essa necessidade é ainda mais importante. Na última semana, a prefeitura de Gravataí oficializou o convênio com o poder judiciário e a ONG Elo para estimular ainda mais o programa de apadrinhamento afetivo.

— O apadrinhamento é uma forma de permitir que crianças que teriam poucas chances de adoção tenham convívio com a comunidade e, principalmente, tenham um bom exemplo para se guiarem no futuro. Porque, ao completarem 18 anos, eles saem do abrigo. O que vai ser desses meninos e meninas se não tiverem uma referência? A ideia do padrinho afetivo é justamente criar estes laços — explica o presidente da Elo, Peterson Rodrigues dos Santos.

Não se trata de uma etapa antes do processo de adoção. Ao contrário, quem deseja ser um padrinho afetivo não pode ser candidato a adotar crianças. É justamente para evitar que aqueles períodos de convivência no abrigo ou fora dali sejam um “test-drive”.

Atualmente, Gravataí tem 76 crianças e adolescentes em cinco abrigos. Em torno de 30 delas são aptas ao apadrinhamento afetivo. Há em torno de 20 pessoas atualmente inscritas no programa na cidade. Na prática, a Elo já atuava em conjunto com o governo municipal e o judiciário para facilitar o apadrinhamento. O convênio oficializou o que já vem dando certo.

— Propiciar o encontro e a convivência com esses padrinhos, que apesar de não quererem adotar, possuem o desejo de manter um convívio, que é extremamente importante, pois também é uma forma de trocar experiências, afeto e criar vínculos — observou a juíza da Vara da Infância e Juventude de Gravataí, Luciana Barcellos Tegiacchi, no momento da assinatura do convênio.

O convênio atende às metas do judiciário para promover a Justça Restaurativa.

— Neste processo todos serão ouvidos: tanto os adolescentes quanto os padrinhos, que passarão por uma formação a fim de receberem suporte e orientações com psicólogos e assistentes sociais sobre o que constitui o apadrinhamento afetivo, visando garantir o bem estar de todos os envolvidos — destacou.

Do afeto, nasceu uma causa

O trabalho da ONG surgiu a partir da experiência pessoal do Peterson. Morador de Gravataí, em 2013, ele queria participar de alguma ação voluntária. Encontrou em Porto Alegre uma organização que auxiliava o apadrinhamento afetivo.

— Nos abrigos, há crianças com baixa possibilidade de adoção. Aquelas que já passaram dos cinco anos, portadoras de doenças ou por alguma outra questão familiar. Nesta convivência eu percebi que elas não podem ficar desassistidas pela sociedade. O papel de integra-las não é do poder público, é nosso, da comunidade — diz o presidente da Elo.

: Lucas escolheu o Peterson, que foi depois “promovido” a pai | ARQUIVO PESSOAL

Naquela oportunidade, Peterson fez parte do método aplicado pela ONG de Porto Alegre para o apdrinhamento. Foram oito encontros pedagógicos, ensinando sobre o ECA, a importância do apadrinhamento e a responsabilidade dos candidados a apadrinhar. Foi organizada uma festa em que os canidatos a padrinhos e as crianças “apadrinháveis” usavam pulserinhas verdes. Foi aí que o Lucas, então com sete anos, escolheu o Peterson.

— Ele se aproximou de mim e me entregou um balão, depois, pediu que eu segurasse o casaco dele. Eu perguntei se ele já tinha um padrinho, e ele me olhou e disse: “sim, dindo, é tu”. Virei dindo na hora — conta.

Foram 14 meses de encontros no abrigo e passeios nos finais de semana, até que, em 2014, o Peterson resolveu ingressar com o pedido de guarda do menino.

— Eu jamais pensei que eu conseguiria. Sou homossexual, solteiro e tenho condições humildes — lembra.

Um ano depois, o pedido foi aceito. Mais do que isso, Peterson tornou-se o primeiro pai solteiro a conseguir licença-maternidade no Estado. A livraria onde trabalhava lhe concedeu seis meses para convivência com o Lucas.

ONG surgiu em Cachoeirinha

O Peterson poderia ter guardado para si a experiência, mas durante o período de licença, percebeu o quanto ainda havia de informações distorcidas sobre o apadrinhamento. A começar pelo método.

— Não me agradou a forma como eu conheci o Lucas. Aquela festa com as pulserinhas, parecia que as crianças estavam em uma vitrine. Havia também muito desconhecimento. Eu percebia que muitos ingressavam como candidatos a apadrinhar, mas com a intenção de adoção. Ao invés de entenderem o papel de referência na vida daquelas crianças, agiam como alguém que está ali para ajudar o abrigo ou a criança. Não é este o objetivo do programa — resume.

Em 2015, ele tomou a iniciativa de criar a ONG, dentro da Cesuca, em Cachoeirinha. Hoje, o grupo atua em seis municípios da Região Metropolitana, tanto com o apadrinhamento, quanto na capacitação de profissionais para atuar nesta área. Além de Gravataí e Cachoeirinha, a Elo atende Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre e Alvorada. Já há projetos também em Palmeira das Missões e, em agosto, deve iniciar um grupo em Montenegro.

O método aplicado em Gravataí segue alguns passos. Os candidatos a padrinhos afetivos inscrevem-se e passam por cinco oficinas até gravarem um vídeo que servirá como apresentação deles aos possíveis apadrinhados. Por outro lado, as crianças e adolescentes também passam por oficinas e gravam vídeos se apresentando. Mas não é o padrinho quem as escolhe. São as crianças, a partir dos vídeos, que vão apontar quem poderá ser o seu padrinho afetivo.

Os primeiros encontros acontecem com o acompanhamento da equipe técnica, que avalia a continuidade ou não da relação.

— Nossa ideia era desconstruir aquela imagem de que o padrinho é superior, ou que está ali para ajudar o abrigo. É preciso uma relação de afeto pessoal, e de entrega real — define Peterson.

O padrinho, ou madrinha, afetivo convive com a criança ou adolescente de maneira duradoura. Precisa ter disponibilidade de partilhar tempo e afeto, justamente para ser um ator fundamental na construção de um projeto de vida e autonomia do apadrinhado. Como o objetivo é possibilitar um vínculo fora da instituição de acolhimento, padrinhos podem, por exemplo, passar os finais de semana e as férias com o afilhado.

Uma nova turma de formação para padrinhos afetivos está sendo aberta. As inscrições de candidatos podem ser feitas pelo 36007131 (secretaria municipal da família, cidadania e assistência social) ou pelo [email protected] ou informe-se na Vara da Infância e Juventude, ou ainda pelo site da ONG Elo.

Para inscrever-se em outras cidades, basta entrar em contato nos e-mails abaixo:

Cachoeirinha: [email protected]

Canoas: [email protected]

Novo Hamburgo: [email protected]

Fonte: Seja um padrinho afetivo

G1 -Famílias de SC falam sobre a adoção de irmãos.

‘Não se trata de encontrar filhos para pais, mas pais para as crianças’

Em um dos casos, três irmãos estavam em um abrigo havia dois anos.

Por NSC TV

Famílias mostram que adoção é um amor que supera os laços físicos

Famílias mostram que adoção é um amor que supera os laços físicos.

A escolha por grupos de irmãos não costuma estar entre as primeiras para as famílias que querem adotar. Mas, em Santa Catarina, pelo menos dois casos mostram o quanto essa opção encheu de amor a vida tanto dos filhos quanto dos pais.

Uma família de Blumenau, no Vale do Itajaí, adotou três irmãos: Maria Eduarda, de 4 anos, Tales, de 5, e Ana Vitória, que tem 11. Eles estavam havia dois anos esperando por uma família em um abrigo.

O casal sempre teve vontade de adotar e o processo de habilitação demorou por volta de um ano. Assim que eles se inscreveram no cadastro de adoção, em apenas 13 dias, foram chamados. A jornalista Karoline Fernandes Pinto falou sobre como foi esse momento.

“A gente entra em trabalho de parto, né. Foi aquela correria, o meu esposo estava trabalhando, eu liguei para ele pra contar. E nós não tínhamos muitas informações, só sabíamos que eram 3 crianças e que nossos filhos tinham nascido para nós naquele momento. A gente não tinha pedido pra ver fotos e não tínhamos detalhes da vida deles. E no outro dia a gente já estava indo pra cidade em que eles estavam para que a gente pudesse se conhecer”, contou.

A partir desse momento, a família não se separou mais. “Não se trata de encontrar filhos para pais, mas pais para as crianças. O bem-estar da criança é que tem que estar em primeiro lugar”, disse Karoline.

 Karoline Fernandes Pinto e Jonathan Roloff são pais de Maria Eduarda, Tales e Ana Vitória. (Foto: Reprodução/NSC TV)

Karoline Fernandes Pinto e Jonathan Roloff são pais de Maria Eduarda, Tales e Ana Vitória. (Foto: Reprodução/NSC TV)

Para ela, muitos pais têm uma imagem diferente das crianças que estão à espera de serem adotadas.

“Se cria um filho utópico na cabeça que é longe do filho que está no abrigo esperando para ser amado e te dar todo o amor do mundo. Hoje em dia a maioria dos casais não aceita grupo de irmãos, não aceita a adoção inter-racial, não aceita a adoçao tardia e é o perfil da criança que está abrigada, que está acolhida”, disse Karoline.

Ana Vitória resume, em poucas palavras, como a vida dela se transformou no último ano. “Mudou porque eu tenho uma família, sou muito feliz. Porque antes eu não tinha”, falou.

O pai das três crianças, Jonathan Roloff, diz que não dá pra imaginar a vida sem os filhos. “Hoje, não faz sentido sem eles. Às vezes acontece de um deles dormir na casa de um dindo… e parece que já está faltando um pedaço de nós”, disse.

Para a comunicadora Cinthia Canziani, o sentimento não é diferente. Há 11 anos ela passou a dividir a vida com os dois filhos.

“Nós pedimos irmãos. Então eu não tive nem muito tempo. Eles falaram na segunda-feira: ‘Ó, estão aqui. Quer vir conhecer?’ Eu falei não, não estou indo comprar uma geladeira, nem um fogão. Não estou indo escolher. Se tu estás me ligando é porque eles são meus e eu não quero vê-los, quero vê-los na hora de ir buscar”, contou.

Na época, o mais velho tinha 3 anos e, o outro, 10 meses. “Foi toda uma adaptação. Eu não sabia nem como dava banho num menino. Eu venho de uma família que tenho duas irmãs, não sabia como cuidar de um menino. Tive que aprender do zero, digo que foi uma gestação muito rápida, que já nasceram grandes, mas eles que vieram pra me ensinar”.

Cinthia conta que ser mãe é um grande desafio, mas que aprendeu com os filhos. “É uma convivência diária de aprendizado, de temperamentos, de valores que essas crianças quando já são maiorzinhas já trazem consigo. Mas te digo uma coisa: o amor transforma. Os meus filhos são uma prova de que o amor transforma tudo ao redor”, disse.

A comunicadora diz ser a favor de não se usar o termo ‘filho adotivo’. “Não coloca o adotivo atrás, porque ele é filho. A criança vai achar que ela é diferente dos outros filhos e ela não é”, explicou.

“O amor que a gente dá a gente recebe 10 vezes mais. Eu levanto a bandeira da adoção porque eu acho uma das coisas mais fantásticas da vida. Que bom a gente poder dar amor pra quem a gente escolheu amar”.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/familias-de-sc-falam-sobre-a-adocao-de-irmaos-nao-se-trata-de-encontrar-filhos-para-pais-mas-pais-para-as-criancas.ghtml

Assista a emocionante história de Daniel, contada no Teleton 2017

No Teleton, maratona beneficente que foi transmitida pelo SBT nos últimos dias, uma história envolvendo um casal gay foi um dos destaques da edição deste ano.

É a história do garoto Daniel que nasceu com hidrocefalia e mielomeningocele, é paciente da AACD e foi adotado por Leandro e Diego após 90 casais desistiram de adotá-lo. Detalhe: nenhum dos casais nem se permitiu conhecer a criança. As dezenas de casais desistiram após verem o laudo médico do garoto com as informações a respeito dos problemas de saúde de Daniel.

“O laudo não falava do sorriso, não falava de como ele era esperto, não falava do que ele era possível” afirmaram os pais da criança. “Nós queríamos ser pais e ele chama nós dois de pais e quem estiver primeiro atende” disseram.

Confira o vídeo abaixo:

Fonte: Assista ao emocionante vídeo de casal gay que adotou um garoto fofo e contou a história no Teleton

Milton Nascimento apresenta o filho adotivo no programa de Pedro Bial

POR RITA LISAUSKAS

   

‘Esse menino é uma maravilha na minha vida’, conta ‘Bituca’

TV Globo/Ramón Vasconcelos

Milton Nascimento é conhecido por sua timidez incorrigível, sempre disfarçada por bonés e óculos escuros, por sua dificuldade em se dirigir à plateia durante os shows e por seu absoluto silêncio sobre a vida pessoal. Mas foi ele quem pediu para falar sobre a adoção do filho, Augusto, 24 anos, me conta Pedro Bial, nos bastidores da gravação de seu programa na Rede Globo, que fui convidada a assistir semana passada. “A gente tinha vontade de falar sobre adoção, mas não sabia por onde, porque o programa não é jornalístico e sim de entretenimento, então a gente sempre pensa em como vai ‘entrar’ em determinado assunto. Aí no camarim, antes do programa com ele e com o Jorge Drexler (exibido no dia 13 de abril), eu vi o Milton e o Augusto, eu vi a relação deles e fiquei com aquilo na cabeça. Ai eu falei: “Milton, a gente tem que falar sobre adoção”. E ele concordou, ‘sim, sim, eu quero falar’. E daí quando eu tive a ‘deixa’ no programa, quando eu pedi para ele voltar e perguntei sobre o que ele gostaria de falar, ele falou: adoção”.

E foi esse tema que fez que Milton, figura bissexta nos palcos e nos programas de tevê, voltasse ao “Conversa com Bial” menos de um mês depois de sua última participação e para a edição que será exibida no próximo dia 25 de maio, dia nacional da adoção. Sua banda já ensaiava os primeiros acordes quando ‘Bituca’ entrou no palco, sem falar com o auditório, silenciosamente extasiado.  Começou a cantar a clássica “Bola de Meia, Bola de Gude” e logo lembrei que Elis Regina, paixão confessa do cantor, costumava dizer que “se Deus tivesse uma voz, seria a de Milton Nascimento”. Seria.

E foi com essa reverência que ele, Milton, foi abraçado pelos atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, também convidados para falar sobre adoção no programa: a filha deles, Titi, chegou à vida do casal depois de uma viagem de Giovanna ao Malawi. Os dois se juntam a Milton para declamar trechos da nova música do cantor, “Além de Tudo”, que saberemos durante o programa que foi composta para Augusto, que está milagrosamente sentado ao meu lado na plateia, me “sopra” um dos operadores de câmera do programa, meu colega anos atrás em outra emissora de tevê. “Você é o filho do Milton?”, pergunto. O rapaz assente, tímido como o pai. Digo que sou do Estadão e que quero entrevistá-lo. Ele diz que tudo bem.

Augusto Nascimento, filho de Milton. Foto: Ramón Vasconcelos, Globo.

Pergunto a Augusto como é ser filho de Milton Nascimento e ele me diz apenas que é algo que ainda “não digeriu”. Embora eles convivam há mais de dez anos, o documento que o transformou em ‘Augusto Nascimento’ saiu apenas ano passado. A gravação da entrevista começa e ‘Bituca’ conta a Pedro Bial que sempre quis ter um filho. “Tentei várias vezes, nunca deu certo, até que finalmente apareceu alguém na minha vida. Eu conheci o Augusto quando ele tinha 13 anos através de uns amigos de Juiz de Fora e a gente ficou amigo. Soube que ele não tinha uma boa relação com o pai biológico e perguntei: você quer ser meu filho?”. Augusto sorri com a lembrança.

Pergunto como está a saúde de Milton e ele me conta que, ano passado, uma depressão afastou o pai dos palcos e da música “mas agora está tudo bem”. Desde que os documentos que regularizaram a adoção finalmente saíram, há pouco mais de um ano, o pai está ainda melhor. “Isso trouxe vida para ele”, conta Augusto, que responde com evasivas quando eu insisto para saber como era a vida antes do  pai. Ou como é sua rotina com Milton.  ‘Bituca’, visivelmente mais expansivo que o costume, sorri no palco ao falar do filho para Bial. “Esse menino é uma maravilha na minha vida”, revela, feliz da vida.

Milton se emociona em diversos momentos, mas fica profundamente tocado quando assiste no telão à mãe, Lília, e o pai, Josino, já falecidos, falarem sobre a adoção e a infância dele em Três Pontas, Minas Gerais, em um depoimento de 1997 resgatado dos arquivos da emissora. “Eu não entendo minha vida sem ele”, diz Dona Lília. Milton chora e Augusto, do meu lado, segura as lágrimas. Pedro Bial pergunta ao filho de Milton se ele “herdou” algo do pai. “Tô aprendendo a ouvir mais e falar menos”, brinca. Algo que eu já tinha percebido, aliás.

 

FONTE: http://emais.estadao.com.br/blogs/ser-mae/milton-nascimento-apresenta-o-filho-adotivo-no-programa-de-pedro-bial/

Agência do Rádio Mais – Entrevista Lidia Weber

ENTREVISTA: Especialista desconstrói mitos sobre adoção de crianças e adolescentes

Psicóloga afirma que maior mito sobre crianças adotadas é que elas sempre têm problemas

Por Sara Rodrigues e Marquezan Araújo

A Agência do Rádio Mais entrevistou a psicóloga Lidia Weber, especialista em adoção, que desconstrói alguns mitos que circulam na sociedade sobre crianças que aguardam por um lar. Ela mostra o que realmente é verdade sobre os pequenos que estão nos abrigos.

Lidia Weber/Arquivo Pessoal

Lídia, para começar, a senhora poderia falar se é verdade que filhos adotivos sempre têm problemas?

“É o maior mito que existe na adoção, mas as pesquisas mostram exatamente o contrário. Claro que existem famílias adotivas que podem ter problemas, assim como as biológicas, mas as biológicas têm mais ainda. Então nós temos uma grande pesquisa – feita com crianças e adolescentes que responderam sobre as suas famílias. Nós dividimos [a pesquisa] entre crianças e adolescentes que eram de famílias adotivas e de famílias genéticas. Eles falaram sobre seus pais, sobre as práticas educativas. A maioria das famílias por adoção está mais satisfeita com seus pais do que com as famílias biológicas.”

E em relação às crianças mais velhas que estão no abrigo? Elas sempre têm histórias ruins?

“Sempre um abandono é uma questão completa na nossa vida, mas o ser humano é um ser resiliente. A resiliênia é aquela capacidade que faz com que a gente, às vezes, precise passar por um grande problema e se reerguer depois. E a criança tem uma maleabilidade, uma flexibilidade de comportamento muito grande. Então ela é capaz de se adaptar e de realmente resolver todas as questões. Às vezes, têm histórias muito horríveis e, às vezes, são histórias simples e tristes. O mais importante não é a história horrível das crianças, e sim a família que elas vão conseguir pela adoção.”

E as crianças que já foram adotadas? É verdade que elas sempre pensam na família biológica e tentam procurá-la?

“Nem sempre. Claro que chega um certo momento que podem repensar sua história de vida, pensar ‘por que eu fui abandonado?’. Mas aquela história de que as crianças e adolescentes que sempre vão querer conhecer a sua família, ir atrás, buscar papéis, isso é inverdade. A maioria das crianças que foram adotadas sabem da sua história – e precisam saber -, e elas têm plena consciência de que a família verdadeira delas é a família que as adotou.”

Lídia, a senhora mencionou que o que importa para a criança que está no abrigo é a família em que ela será inserida. Diante disso, é verdade que, se os pais escolherem a criança, o vínculo é maior?

“Esse é um mito grande também. Não facilita. O vínculo afetivo, ele não vem pronto, ele não é genético. Ele é construído no dia a dia, no olho por olho, na cumplicidade, no envolvimento, e nós temos também dados de pesquisa. A gente comparou aquelas famílias que escolheram as crianças. Elas são mais felizes que aquelas que não escolheram? Dados mostram que não. Tanto famílias que escolheram suas crianças, quanto aquelas que foram designadas, que o juizado chamou para determinada criança – e esse é o processo correto – elas são felizes e têm a mesma qualidade de vida.”

Agora trazendo um pouco para o lado dos pretendentes a pais e mães dessas crianças. Muita gente diz que a adoção deve acontecer de forma natural, e não é necessário ter uma preparação. Isso procede?

“Isso não procede também, aliás, nem para a adoção e nem para ser pai ou mãe genético. Você precisa se preparar. Educar e ter um filho são condições especiais muito complexas. Talvez até a tarefa mais complexa da nossa existência seja educar e socializar uma criança. É difícil, é diferente de 20 ou 30 anos atrás. Hoje é um outro mundo com mais complexidade, com mais agressividade. Então, sim, quem quer adotar precisa se preparar, precisa passar pelos cursos. Mais do que isso, precisa ler, precisa ouvir programas como esse, precisa realmente querer entender outros que adotaram.”

Certo, Lídia. E pra terminar, eu queria saber, é importante que a motivação dos pretendentes seja perfeita na hora de adotar?

“A perfeição não existe. Ela até é ruim quando chega numa questão de compulsão, de tão perfeita que você quer. A motivação perfeita é ‘eu não tenho filho, então eu quero ter um filho’, ou ‘eu já tenho filho e quero ter outro filho’. A principal motivação é que você desejar um filho. Isso é a principal motivação. Não importa se você já tem outros ou não, seja pela via biológica, seja pela via adotiva. A principal motivação é ‘eu desejo um filho’ e, a seguir, é você se preparar para isso.”

Fonte: Agência do Rádio Brasileiro – Áudios gratuitos para emissoras de rádio

Em carta comovente, cantora explica adoção após ‘não desejar filho da barriga’

Cantora Vanessa da Mata explica, em carta emocionante, por que nunca sonhou com “filho da barriga”, fala sobre o desejo pela adoção e, ao lembrar da chegada dos filhos, faz uma verdadeira declaração de amor

Vanessa da Mata filhos adoção
Vanessa da Mata com os filhos (dir)

Mãe de três crianças, Vanessa da Mata não é diferente de qualquer outra mãe que ama seus filhos. Mas o fato de as crianças terem surgido em sua vida por meio da adoção e não pela concepção faz com quem a cantora tenha que lidar com situações diferentes do que uma mãe biológica enfrentaria. Vanessa adotou Bianca, Filipe e Micael, três irmãos biológicos.

A cantora conta que as pessoas ainda têm muito preconceito em relação ao assunto. “Eu estava nos Estados Unidos e contei para os meus amigos de lá que ia adotar e eles fizeram um jantar para brindar. No Brasil, as pessoas diziam para eu não fazer isso, pelo amor de Deus. Foi decepcionante ver o preconceito. Algumas pessoas chegaram a falar que eu ia fazer isso para me promover, até por esse motivo eu prefiro não falar muito sobre o assunto”, disse.

“Minha falecida avó, Sinhá, a quem sempre fui muito ligada, teve sete filhos biológicos e adotou outros 20. Sim: ela tinha 20 filhos adotados. Portanto aprendi desde cedo que não é a gravidez que faz uma mulher ser mãe…é o amor. A maternidade é a experiência mais acertada da minha vida. Mas pude constatar na pele que ainda existe um preconceito muito grande em relação ao ato da adoção. Já cheguei a ouvir que eu teria feito isso para me promover. Também já ouvi afirmações grosseiras, na frente das crianças, inclusive…coisas do tipo ‘mas elas não são suas’. Ou seja: um desrespeito e uma falta de sensibilidade muito grande. Elas são minhas sim, oras. Se não são minhas, são de quem então?”, completou.

Recentemente, Vanessa publicou no Facebook uma carta comovente em que explica a história do processo de adoção e discorre acerca das condições dos abrigos para crianças no Brasil. A artista relata ainda que, se tivesse mais condições, “teria uns dez filhos de coração, estômago, pensamentos, de destino, de canções e arte de viver”. Leia abaixo o depoimento da cantora:

A vida muda a cada momento! Quase seis anos atrás, depois de não desejar filho da barriga, resolvi exercer a adoção, desejada desde a infância! Mas isso não aconteceu assim, rapidamente! Eu estava pensando em morar fora, Nova York, Canadá, para aprimorar as “aulinhas de inglês”! Estava me separando e resolvendo seguir fase nova na vida. Aí em uma visita a um abrigo, levei brinquedos e cobertores, “saí com três crianças” hahahaha …

Não foi tão fácil assim! Os trâmites de adoção são dificílimos, os pais adotivos e as crianças sofrem com a burocracia e demora e as crianças que muitas vezes chegam bebês, crescem lá dentro, sendo preteridas na adoção por outras menores. Mas NY, como era abstrata e podia ser adiada, ficou pra depois, enquanto as crianças não tinham mais tempo para esperar nem perder. Era uma adoção tardia. “Adoçao tardia” é aquela que acontece com crianças já crescidas! Crianças que têm experiências difíceis, porém um desejo enorme por uma família. Com todas as dificuldades que tiveram e têm, sabem o que é não ter. Então eu, meu ex-marido, quase separados, nos jogamos e assumimos pais com força na responsabilidade que é educar direito os três filhos e com muito amor.

Acabo de ser “apertada, amassada” por um dos filhos: “Minha mamãe é muito fofa meu Deusss”! Isso sim, “não tem preço” oh cartão de crédito! ahaha tão lindo!

Infelizmente há crianças crescendo dentro dos abrigos, sem amor e sem cuidado necessário para pequenos seres que foram deixados por tantos motivos doloridos. Crianças nos “abrigos”, são muito negligenciadas! Claro que não são todos, mas sofrem muito! Em muitos “abrigos”, as crianças são torturadas, mas não podem ter amor! Os “ajudantes” são proibidos de se envolver afetivamente, para não ter apego, caso elas sejam devolvidas as suas famílias de origem ou adotadas! Ficam à mercê da televisão ligada o dia inteiro, funcionários brutos, sem preparo algum, duros, sem cursos preparatórios, tratamentos psicológicos, sem nem o mínimo que seria ter funcionários gostassem de crianças, sem uma mínima sensibilidade para com eles. Não podem exercer o afeto, mas o desafeto… É visível! Ainda bem que existem abrigos aonde há uma educação religiosa, não fundamentalista. Aquelas que ensinam o amor, amar a si e ao próximo, não o ego do ser o único a entrar no reino de Deus! O amor divino, acho que é um alicerce, dá estrutura, é uma companhia que não falha ao acessar e se conectar.

Ainda temos que melhorar tanta coisa neste mundo, que não há tempo para descansar e nem para negligenciar, ficar quieto diante de tantos fardos e dores implantadas pela ignorância e descaso!

Fiz o disco “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias”, quando eles chegaram ainda no início no período de feitura no estúdio. De repente eu tinha trigêmeos. Vieram com cinco anos, seis e oito e meio e muita expectativa, medo, cheios de curiosidade e disposição para amar! Chegaram coincidentemente, ou nem tanto assim, no Dia das Mães, vejam vocês!!! A farra da família grande e nova, inclusive com vários tios adotivos, minha avó teve vinte adotivos e sete da barriga ao longo da vida, primos novos chegando, a calçada na casa de Mato Grosso no interior, sendo montada pelas crianças todas da família em um grande mosaico!

A música “Meu Aniversário”, onde falo deles no final e dessa turminha da família, tudo se descobrindo como se o mundo não tivesse existido.

Eu chorava o tempo todo! Me descobri mãe e as histórias se formando e tudo se transformando na minha frente, me fizeram ver os meus pais, minha avó que foi um ser de luz, um anjo, e a minha vida mudava por inteiro. Em uma semana eles já sorriam! Em duas, me chamavam de “minha mamãe” com um orgulho que doía, em duas e meias eles dormiam como se nunca pudessem podido, em um ano, o mais velho lia. Cada conquista uma celebração! O amor é um milagre, digno de mudar tudo, e todos que queiram e se deixam. Eu, mais do que nunca, acredito nisso!

Enquanto nenhum filho dos outros queria beijar os pais na porta da escola, pois estavam crescidos, os nossos faziam muito gosto, matavam de inveja os outros pais que nos olhavam derretidos: “Que delícia a minha mamãe e o meu papai!!!”.

Meu ex-marido é um pai maravilhoso. Levava os filhos no pescoço pelas ruas, girava-os no ar, ensinava com paciência. Muito orgulho de ter escolhido uma pessoa de caráter, firme, bondoso, saudável, de costumes saudáveis,querendo tanto ser pai, para dar exemplo e educar os meus, porque isso é uma responsabilidade enorme, e acho que é a da mulher. Escolher o pai de uma criança não é brincadeira, pois o poder da escolha do pai, é dela, já que tem o poder da gravidez! E muitos mudam na chegada do filho, mas muitos também pioram, continuam no “Mundo de Bob”, o filho vira apenas um status para os outros, não educam, não brincam, não dão limites, não ensinam sobre o mundo e suas armadilhas, não conversam e só pensam neles! Mas também o homem tem a sua responsabilidade na escolha de sua família. Um mãe maravilhosa é o mínimo!

Vou confessar uma coisa: se eu fosse uma cantora do gênero sertanejo e ganhasse muito mais dinheiro para dar uma estrutura melhor, teria uns dez filhos de coração, estômago, pensamentos, de destino, de canções e arte de viver! “Criança é bom demais” como dizia a minha avó amada!

Tanta gente tendo filho de um transa, sem querer! Eu tive muito tempo desejando, com advogado, esperando, chorando e… sem transa! É muito amor

Fonte: Em carta comovente, cantora explica adoção após ‘não desejar filho da barriga’

Matéria de 26/01/2016.

Apadrinhar Canoas Promove Reunião Explicativa para Comunidade

Na noite de sexta-feira (9) a comunidade de canoas teve a oportunidade de conhecer detalhes do projeto Apadrinhar Canoas, promovido pelo Tribunal de Justiça do rio Grande do Sul, pelo Juizado da Infância e Juventude de Canoas juntamente com a Elo, Universidade LaSalle e  e toda rede de acolhimento do Município. o evento contou ainda com depoimento emocionante de madrinha de 2017 compartilhando suas experiências.

As inscrições permanecem abertas até 31 de março pelo e-mail [email protected]

Veja as fotos do evento:

 

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