Não tivemos Preconceito – Por Cláudia e Marcelo

 

Acompanhe esta linda história até a chegada do Samuel. Emocione-se conosco!

Meu nome é Cláudia e conheci o  Marcelo em 2007 quando ele  foi transferido para a mesma cidade onde eu já trabalhava, acabamos por ironia do destino sendo colegas de trabalho. Fomos nos aproximando e da amizade nasceu o amor.  Fomos morar juntos com apenas 6 meses de namoro e de lá para cá viemos construindo nossa história.
Eu já tinha meu filho Gabriel, na época com 7 anos e hoje com 16, de um relacionamento anterior. O Marcelo acabou de certa forma adotando pela primeira vez e isso me fez perceber que eu queria ter um filho com ele, pois ele sim era um excelente pai. Apesar de exigente, sempre muito amoroso e preocupado. Vive e morre pela família.
Com o passar do tempo a vontade  de ter um filho  foi aumentando , porém, sempre achamos uma desculpa: não temos condições no momento, vamos curtir mais um pouco, o Gabriel ainda é muito  novo, vamos nos estabilizar, etc. E o tempo vai passando e passando…quando estávamos há 3 anos juntos, recebemos uma notícia bombástica: o Marcelo estava com câncer. Além do susto de  vê-lo enfrentar essa doença tão temida ainda tivemos que pensar na possibilidade de não termos filhos. Pedimos então para o médico que fizesse um espermograma pois tínhamos esperança  de congelarmos o sêmen para uma futura fertilização, mas nesse momento recebemos outro golpe: o espermograma veio zerado! Gelamos ao perceber que não poderíamos ter filhos.
Essa notícia veio como um balde de água fria, pois, por mais que no momento não quiséssemos ter um filho, tínhamos esperança de tê-lo futuramente e a certeza de não ter opção é terrível. Começamos então a pesquisar sobre fertilizações e tratamentos, tudo muito caro, distante da nossa realidade. Acabamos descobrindo uma clínica maravilhosa que tinha um programa de ovodoação…estava aí a salvação! Eu doaria parte dos meus óvulos em troca do tratamento…mas, como a vida é uma caixinha de surpresas, não foi dessa forma também, pois ao iniciar o cadastro e ter os exames todos ótimos, esperei dois anos para ser chamada e ao iniciar o tratamento descubro que dessa vez é meu corpo que me prega uma peça e eu não produzo óvulos suficientes. Eu já estava no limite da idade para ser doadora e só sobraria a opção de fazer o tratamento particular, mas ainda assim não estávamos preparados para isso.
Após esse período, apesar de já estarmos conversando sobre adoção, eu fiquei enlutada. Precisava sofrer e chorar toda a mágoa de não poder gerar novamente. Eu queria um filho adotivo, mas antes queria gerar…e o tempo que passou após esse luto foi fundamental para nossa decisão na adoção pois acabamos apadrinhando uma criança, mudamos o foco e pudemos ver outra realidade, outra forma de amar. Fomos então amadurecendo nosso perfil, conversando sobre o assunto e pesquisando também até que demos entrada no processo no ano de 2014. Paramos para conversar sobre o tal perfil( essa parte parece meio fria, mas é necessária)… o que estaríamos dispostos a ” escolher”? Qual seria nosso limite? Quais as nossas restrições? Se fosse um filho biológico, poderíamos escolher alguma coisa?  Pensando em nossa vida e no que poderíamos oferecer à criança, decidimos que nossa única restrição seria uma criança com deficiência, não pelo preconceito ou medo, mas por falta de estrutura física para acolhê-la. Desde o início não queríamos dar uma passo maior que a perna e se queremos sermos bons pais, precisamos pensar no que podemos oferecer para o filho. Em abril de 2015 recebemos a notícia que estávamos habilitados, depois de um ano de espera e tramites. Agora, segundo todo mundo nos falava , era sentar  e esperar longos anos até que nosso filho chegasse, pois nosso perfil tinha o limite de idade para uma criança de 3 anos .
Após a habilitação ainda tínhamos esperança de tentarmos uma gravidez, mas por incrível que possa parecer, aquela necessidade, aquela vontade, aquela urgência de gerar foi morrendo dentro de mim, deixou de fazer sentido e foi tao natural que quando nos chamaram no fórum, eu estava serena! Sim…fomos chamados exatamente 1 anos após sermos habilitados e quase caímos para trás com a notícia, pois esperávamos mais uns 4 ou 5 anos de espera! Fomos chamados para um garoto lindo, mas não podemos ficar com ele em função de alguns problemas de saúde que escapava das nossas possibilidades, não poderíamos dar a ele o conforto necessário. Ficamos arrasados, moídos por dentro por dizer não ao filho que tanto queríamos…a assistente social nos diz então: não descansem muito, pois vocês estão com contrações! Essa frase nos intrigou, mas como sabemos que as coisas jurídicas são lentas,  achamos que as contrações levariam mais um ano..mas para nosso engano durou exato um mês! No dia 10/05/2016, a assistente social liga dizendo que nossa bolsa tinha estourado e que poderíamos conhecer um menino, nascido no  dia 01/03/2016, juro que eu ouvi os sinos e sabia que era nosso filho! Fomos conhecer a história dele e na hora de vermos a foto já sabíamos que era nosso, finalmente nos reencontraríamos. Tivemos que aguardar um final de semana sem fim para então  conhecer nosso amado e o encontro foi arrepiante! Do nada nos dão no colo um pacotinho gordinho, simpático, lindo, perfeito…nosso Samuel! Era nosso e não sabíamos se ríamos ou se chorávamos porque a sensação daquele momento é algo totalmente diferente de tudo,  era um reencontro de almas…era para ser nosso! Se algum dia eu tive medo de não conseguir amar um filho que não foi gerado, a dúvida morreu ali pois o amor é instantâneo. Pari de pé e é tão lindo quanto um parto normal…pude viver as duas gestações: a do ventre e a do coração!
Bom, muit

as pessoas nos questionam porque nossa adoção foi tão rápida se tem pessoas há anos esperando um filho e nossa resposta é: não tivemos preconceito. Nosso filho teve uma genitora usuária de drogas, hiv positiva e portadora de sífilis…muitas pessoas fecham o coração para crianças soropositivas, mas nós jamais cogitamos não escolher uma criança nesse perfil porque sabemos que é tratável , que nosso filho não ia morrer cedo porque essa

 

doença não é sentença de morte. Para nossa surpresa, apesar do Samuel ter sido exposto, ele nasceu negativado, irá  fazer acompanhamento  até os 18 meses, mas as chances são mínimas e se mesmo assim a doença aparecer, nós estaremos ao lado dele para mais essa batalha , ele é nosso e vamos cuidar dele! Ele vai ser amado e protegido sempre!
Esperamos poder ajudar muitos casais que pensam nesse perfil mas ainda têm medo  e esperamos que cada vez mais crianças expostas ou soropositivas tenham chance de crescerem no seio de uma família!

 

Fonte: ELO – Organização de Apoio à ADOÇÃO: Não tivemos Preconceito – Por Cláudia e Marcelo

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