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GloboNews – Documentário mostra jovens que viveram em abrigos até os 18 anos

GloboNews – Documentário mostra jovens que viveram em abrigos até os 18 anos

GloboNews – Documentário mostra jovens que viveram em abrigos até os 18 anos

Meninos e meninas que viveram anos em entidades de acolhimento precisam ir embora aos 18 anos e muitos não têm para onde ir. A GloboNews foi conhecer esses rostos, saber um pouco da trajetória deles e como pretendem seguir nessa nova etapa, em que, na maioria das vezes, se veem praticamente sozinhos. O medo e a insegurança são características comuns.  “Eu me sinto como aqueles animais que estão em perigo, o pessoal pega, começa a cuidar deles, só que geralmente, eles querem libertar pra vida selvagem. Eu me sinto assim. Eu fui pego numa situação em que eu estava vulnerável e fui. Cuidaram de mim e agora é hora de tomar o meu rumo. Seguir o meu destino”, relata C., de 17 anos, a dois meses da maioridade.O documentário “Meus 18 anos” vai mostrar quem são esses jovens, seus anseios, suas dificuldades, suas impressões sobre o que está por vir e seus sonhos.  A jornalista Maíra Donnici e o repórter cinematográfico Pedro Machado estiveram em diferentes instituições, no Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo. “Apesar dos relatos, é impossível ter a real amplitude do que cada um passou até ser colocado naquelas dependências. O olhar triste, mesmo nas brincadeiras, evidencia o peso que eles carregam”, conta Maíra.Atualmente, 47.104 crianças e adolescentes vivem em abrigos, entidades de acolhimento, lar transitório ou unidade de reinserção social no Brasil. São meninos e meninas que estavam passando por situações de vulnerabilidade, como maus tratos, abusos, negligência familiar, entre outros exemplos, e acabam colocados nessas instituições. Alguns voltam para suas famílias. Mas há casos em que a justiça entende que a reintegração não é possível. “Inicialmente, é feito um trabalho de tentativa de reintegração familiar. Seja com os genitores, seja com a família extensa. Aí é que se vai passar para a destituição do poder familiar e eventual colocação em família substituta”, explica o juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, presidente da Coordenadoria de Articulação das Varas da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro /Cevije.No entanto, com o passar do tempo, eles vão perdendo cada vez mais as chances de uma nova oportunidade e acabam passando anos nesses lugares. Até fazerem 18 anos, quando devem ir atrás da independência. A seis meses de completar 18 anos, a estudante R., no acolhimento desde os 12 anos, sofre com a ruptura: “Vai ser um pouco difícil, né? Porque você vai estar saindo de um lugar que você gosta, que você é apaixonada pelas pessoas, não vai estar vendo elas todo dia, não vai ter aquele puxão de orelha todo dia, que você não gosta, mas, ao mesmo tempo, ama. Porque você não vai ter ninguém lá fora pra falar isso como eles falam aqui dentro. Não vai. Você vai ter que se virar sozinha. Vai ter que conhecer o mundo lá fora, querendo ou não. Porque o que a gente não aprende em casa, o mundo ensina. E ensina da pior forma, né?  E, aqui a gente aprendeu muita coisa e aqui a gente vai levar pra vida inteira. Os conselhos, carinho, tudo. Pra vida inteira”, conta R.Dos mais de 47 mil acolhidos, 20.381 têm mais de 13 anos. “O dia dos 18 anos é mitológico. Se fala muito nisso entre eles. Eles falam muito do dia, como se fosse acontecer uma grande mágica. E, de fato, é. Até porque esses que completam 18 anos estão dentro do serviço de acolhimento há vários anos. A vida deles, muitas vezes, foi marcada por muito sofrimento, privações, dores emocionais e físicas, às vezes”, conta Aline do Nascimento, psicóloga do Lar de São José, em Ceilândia, DF, que há anos acompanha os adolescentes nessa etapa tão delicada.A psicóloga Patrícia Mello, gestora do programa Aldeias Infantis SOS Brasília, acrescenta que, a partir dos 15 anos, o adolescente começa a ser preparado para uma vida autônoma e independente, um processo que vai desde a conscientização de que ele precisa andar com as próprias pernas, até a capacitação e inserção no mercado de trabalho. Porém, arrumar um emprego não é tão fácil: “A gente tem um filtro da empresa que está acolhendo esse adolescente e a distorção idade-série dificulta um tanto. Hoje a gente tem adolescentes que têm uma idade de 16, 17 anos, mas que a escolaridade não é favorável”, resume.

Em São Paulo, a prefeitura criou um modelo de república jovem, que absorve jovens de 18 a 21 anos, vindos de entidades de acolhimento. Uma alternativa para os que não têm ou não querem ter laços com a família e também não conseguem se manter imediatamente. É em São Paulo também que existe uma ONG criada para auxiliar os adolescentes que estão para sair. A psicóloga Mahyra Costivelli, coordenadora do Grupo Nós, Instituto Fazendo História, diz acreditar que ninguém aos 18 anos está totalmente preparado para uma vida autônoma.  “Então, eu acho que é um desafio pra eles. Eles conhecem pouco de si, da cidade, estão com medo. Além disso, existem poucas políticas no Brasil que atendem esses meninos, esses jovens que saem do serviço de acolhimento. É uma necessidade que a gente vê, do reconhecimento desse público como um público especifico, que precisa de um olhar específico. O grupo Nós, por exemplo, procura envolver os adolescentes em todas as ações”.

 

Fonte: GloboNews – Documentário mostra jovens que viveram em abrigos até os 18 anos

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