O Direito à Intimidade ou Redes sociais. Aprecie com moderação – Por Peterson Rodrigues

O Direito à Intimidade ou Redes sociais. Aprecie com moderação – Por Peterson Rodrigues

O Direito à Intimidade ou Redes sociais. Aprecie com moderação – Por Peterson Rodrigues

 

Redes Sociais. Não sou uma boa pessoa para isso. Desculpem.

Podem me chamar para entrevista ou dar palestra a uma plateia com duzentas pessoas por três horas, que conto toda nossa história, sem problemas. Mas estou vendo estas pessoas. Consigo sentir suas reações e sei o que e para quem estou falando. Sou mais do olho no olho.

Eu sinceramente acho que falo bastante sobre nós, mas há alguns terrenos que não acredito que combine com redes sociais.

Sou bem careta ao abordar algumas questões e ao mesmo tempo liberal demais em outras no tratamento com meu filho. Em casa falamos sobre tudo, sexualidade, religião, família biológica, drogas, identidade de gênero e outras coisas que são dele apenas. Mas isso tudo fica em casa ou no máximo nos grupos de amigos ou de apoio presenciais que participo. Presenciais.

Perturba-me ver pessoas usando as redes sociais como uma espécie de diário onde descrevem desde a diarreia até a fimose do filho. Algumas coisas são constrangedoras e não são legais de compartilhar ou necessárias. Claro que existem casos de utilidade publica mesmo, mas às vezes pela necessidade de ‘alimentar’ aquele espaço com conteúdo, as pessoas se expõem demais e o pior, expõem seus filhos.

Acho que existe local para tudo. Um grupo de Whatsapp, por exemplo, tem até 250 pessoas. Se forem outros aplicativos, até mais. As pessoas estão ali para falar de adoção e existem milhões de grupos assim. A Elo possui alguns. São grupos que unem as pessoas por um tema em comum e isso é muito útil. Informações relevantes, experiências são trocadas ali de forma que auxilia tanto aqueles que aguardam quanto os que já adotaram seus filhos e passam pelos testes e provas do pós-adoção. Porém, esse compartilhar as vezes se transforma em papo de comadre ou superexposição de crianças que estão em um momento delicadíssimo.

A adoção não é troféu para ninguém e não somos obrigados a prestar contas para o mundo do dia a dia dos nossos filhos apesar de gerar curiosidade. É importante fazer, ter pessoas para se apoiar, mostrar e divulgar casos de sucesso para que a adoção seja vista como uma forma de ter filhos. Simples assim.

Vejo pessoas em seus extremos. As que afirmam que os sinos tocam a cada data. E aquelas que por quererem mostrar a realidade, expõem as fases negativas e testes de uma forma sensacionalista e sem buscar ajuda profissional. Fico na dúvida se estas pessoas procuram a afirmação que precisam para a devolução ou consolidar-se como mártir ou ser evoluído por passar por todas essas provações. Eu passei pelas minhas e ainda passarei por mais e de evoluído estou longe. Só quero ser pai.

Às vezes quando falo isso, soa contraditório, pois fundei um grupo de apoio à adoção e apareci em dezenas de matérias na mídia contando nossa história.

Mas porque fiz isso? Para receber ajuda também. Isso mesmo, sem hipocrisia. Não sou técnico ainda e não tenho um terço da experiência dos profissionais que me cercam. Sei que estando presidente de uma ONG, às vezes sou visto como referência e as pessoas buscam em mim algumas repostas. Mas uma coisa que aprendi minha vida profissional sempre foi. ‘Se você não tem a resposta, vá atrás de quem sabe’. E assim eu tenho feito em várias questões da minha vida.

Hoje corremos atrás de parcerias para que as pessoas tenham assistência profissional e qualificada, melhor do que eu pessoalmente poderia fazer. Quando falo em público ou escrevo em redes sociais é como pai, compartilhando minha experiência pessoal e jamais fazer com que esta seja uma regra. Pois cada caso é único, cada adoção tem sua forma especial da magia acontecer e por isso, assumo minha limitação técnica e participo dos grupos não apenas para compartilhar, mas muito mais para aprender e desculpem os que discordam, mas tem coisas que antes de ir para um grupo de desconhecidos, melhor chegar a um profissional.

Reconheço a importância dos grupos e as trocas virtuais, mas a mediação de um profissional é muito importante para nosso crescimento para assim não nos basearmos apenas nas vivências alheias e sim termos respaldo técnico.

Precisamos nos basear mais em experiências vividas do que compartilhadas, pois cada um tem a sua verdade. Para isso, saia do virtual e permita-se viver o real.

 

Peterson Rodrigues é pai por adoção, graduando em Serviço Social, fundador e atual presidente da Elo.

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